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por WASHINGTON PICANÇO

É atribuída a Getúlio Vargas, a frase que ficou famosa no Brasil: “aos amigos, a lei; aos inimigos, os rigores da lei”.

Esta parcialidade tem corroído historicamente as instituições jurídicas e políticas de nosso país. O Brasil tem mais de 500 mil presos, e, contam-se nos dedos, os ricos que estão na cadeia.

No plano político, o rigor investigativo da grande mídia e das instituições jurídicas são o paradigma da moralidade. É muita hipocrisia. Essa selvageria não pode continuar!

O maior inimigo da moralidade não é a imoralidade, mas a parcialidade. (…) O primeiro atributo dos julgamentos morais é a universalidade, pois espera-se de tais julgamentos que sejam simétricos, que tratem casos semelhantes de forma equivalente.

Quando tal simetria se quebra, então os gritos moralizadores começam a soar como astúcia estratégica submetida à lógica do “para os amigos, tudo, para os inimigos, a lei”. (…)

Devemos ter isso em mente quando a questão é pensar as relações entre moral e política no Brasil. Muitas vezes, a imprensa desempenhou um papel importante na revelação de práticas de corrupção arraigadas em vários estratos dos governos. No entanto houve momentos em que seu silêncio foi inaceitável.

Neoliberais usam moralidade para tentar popularizar seu discurso. Nos países chamados emergentes, como o Brasil, as forças neoliberais têm uma enorme dificuldade de popularizar o discurso político para viabilizar as vitórias eleitorais.

Os neoliberais, como sabemos, defendem radicalmente a economia de mercado, onde vencem as “pessoas mais capazes”. A esquerda tem sua identidade na justiça social, onde se destacam as políticas de distribuição da renda e da riqueza.

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