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SELES NAFES

O Amapá já tem internet de banda larga há mais de uma década, mas as operadoras, a exemplo do restante do Brasil, ainda não oferecem 100% de estabilização do sinal. O portal SELESNAFES.COM mergulhou de cabeça nesse mundo para entender e explicar porque ainda temos os “apagões” da web.

O portal procurou as duas principais operadoras amapaenses, a Você Telecom e a Webflash, duas pioneiras no setor que investiram na transmissão do sinal e na venda de pacotes muito antes das grandes operadoras nacionais de telefonia, como a Vivo, Tim, Claro e a Oi.  

Na semana passada o diretor da Webflash, Carlos Batista, concordou em participar da reportagem, mas, nesta terça-feira (1º), ele informou que estava em viagem para tratamento de saúde, e se prontificou em atender a reportagem após seu retorno.

O SN também tentou ouvir a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), responsável pela fiscalização do setor, mas o diretor da estatal, Edward Ayres, está em férias. Já presidente do Prodap, estatal que fornece internet para o governo do Estado, Lutiano Silva, contribuiu com informações. 

Você Telecom surgiu da fusão de duas empresas pioneiras

Webflash surgiu em 1997 como TV Som

O início

O portal apurou que os dois principais provedores do Amapá iniciaram suas atividades em meados dos anos 1990, com o acesso discado, serviço que os gigantes nacionais só trariam em 2003.

Em 1995, a Embratel disponibilizou os circuitos para as empresas locais interessadas em investir. Em 1996, surgiu a BNO (hoje Você Telecom após fusão com a NTC, em 2011); e a TV Som (Webflash), em 1997.

“Se fossemos esperar pelas operadoras nacionais só teríamos internet discada em 2003, quando já vendíamos há 7 anos nesta modalidade e há 2 anos com internet banda larga”, lembra o empresário Fábio Renato, diretor geral da Você Telecom.

Em 2001, a Você Telecom começou a venda de internet banda larga, que no Brasil ainda era considerada a velocidade de 256 Kbps, por sinal de rádio via satélite.

Equipes de manutenção da Você Telecom em Santana: 3,2 mil ocorrências com linhas de papagaio

Loja em Afuá: era dos megas

Entre 2004 e 2005, a empresa começou a ter dificuldades para contratar banda larga via satélite da Embratel, até que em 2007, iniciou o projeto para sair do satélite e passar a fornecer o sinal por via terrestre. O objetivo era construir uma complexa rede de antenas atravessando a gigantesca região do Marajó, o que foi concretizado em 2010.

Em 2013, a empresa aumentou a capacidade do sistema do Marajó, passando a oferecer planos de acesso mais robustos. Saiam de cena os pacotes em kbps (kilobytes por segundo) e começava a era dos megas.

Redundância

Hoje, as operadores do Amapá não têm problemas com capacidade de banda, ou seja, com oferta de internet. O problema ainda são os corredores por onde passam esses sinais. O principal deles é o Linhão de Tucuruí.

“Qualquer problema derruba todos os provedores. Todos utilizam o Linhão. Quando há problemas o Estado fica isolado”, explica o presidente do Prodap, Lutiano Silva. O Prodap compartilha o sinal da Oi para cerca de 4 mil usuários de todos os órgãos estaduais.  

Lutiano Silva, presidente do Prodap: investimento em fibra ótica própria

Os sistemas que transportam o sinal de internet por via terrestre atravessam rios e centenas de quilômetros da floresta amazônica, e estão sujeitas a interferências das mais variadas, tanto da natureza, como raios; quanto do próprio homem, como em acidentes com embarcações nas torres que sustentam os cabos ou em acidentes de trânsito que atingem postes de rua, gerando o rompimento dos cabos de fibra ótica.

No Linhão de Tucuruí, a cada dezenas de quilômetros, existem estações com equipamentos mantidos com ar condicionado e nobreaks que precisam ser trocados pelo menos a cada um ano e meio.

“Sem renovar o nobreak, uma hora ele vai parar. Não existe manutenção preventiva. E com o passar do tempo a oscilação constante de energia vai afetando e queimando os circuitos. E quando queima o problema maior é a chegada de um técnico nessas localidades. Dependendo do ponto onde houve a pane o deslocamento leva horas”, revela o diretor geral da Você Telecom.

Outro fator de interrupção muito comum, especialmente nas férias, são as ocorrências com linhas de papagaio. Só as equipes da Você Telecom atenderam 2,8 mil ocorrências em julho do ano passado, e mais de 3,2 mil antes do fim das férias. 

Fábio Renato, da Você Telecom: novas rotas e redundância

Sobra

A Você Telecom entrega 40 gigas aos usuários pelos dois circuitos do Linhão de Tucuruí administrados pela Tim em duas rotas, uma delas passando por Belém (PA) e outra por Fortaleza (CE). 

Mesmo assim, apenas 60% de banda é utilizada em horários de pico, resultando numa sobra de 40% do que poderia ser fornecido. Como problema não é oferta, mas sim, a estabilização do sinal, a empresa diz que está investindo para aumentar a redundância de rotas que manterão o sinal mais estável.

A empresa informou que contratou uma terceira rota da Tim, desta vez passando por Manaus (AM). O novo circuito deverá estar pronto em 60 dias.  

“E em agosto teremos mais uma rota, desta vez por São Paulo com a Vivo, e ainda estamos ampliando a capacidade do Marajó para reduzir a dependência que o Amapá tem de Tucuruí”, avisou Fábio Renato.

Já o Prodap vem discutindo com o governo do Pará e o Exército Brasileiro a instalação de uma fibra ótica própria pelo Linhão.

“A ideia é a partir do ano que vem começar a iluminar (operar) a fibra”, garante Lutiano Silva. O investimento será de R$ 4 milhões.

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