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ANDRÉ SILVA

Produtores de gado no Amapá vão adotar a técnica de Integração Lavoura Pecuária Floresta (ILPF) com a finalidade de potencializar lucros em suas propriedades. Um encontro entre os trabalhadores e pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), na quinta-feira (14), deu início à experiência no estado.

A técnica consiste em concentrar numa mesma propriedade rural o cultivo de milho, soja, feijão e arroz, associado à criação de gado, porco e outras espécies. O sistema permite ao empresário melhor lucratividade, pelo conjunto de produtos diversificados, além de contribuir para a criação de novos postos de trabalho, dizem os pesquisadores.

Sistema integrado no Brasil

Pesquisador da Embrapa João Kluthcousk. Fotos: André Silva

De acordo com o engenheiro agrônomo e pesquisador da Embrapa João Kluthcousk, especialista no sistema Integração Lavoura Pecuária Floresta no Brasil, falou que no país a técnica já foi aplicada em mais de 12 milhões de hectares, e sua difusão foi muito rápida. Ele lembra que o método não é uma novidade pois já era utilizado por civilizações antigas, e garante que uma propriedade pode produzir até quatro safras em um ano.

“Tiramos uma safra de soja, imediatamente, implantamos uma safra de milho, que é a segunda. Com esse milho, já entra consorciada uma forrageira, seja ela brachiaria ou panicum. Tiramos o milho e colocamos o boi, que representa a terceira safra. Aí tiramos o boi no período chuvoso e deixamos formar massa, palha e matéria orgânica, que é a quarta e mais importante safra do processo”, explicou o pesquisador.

Implantação no Amapá

Pesquisadora da Embrapa Ana Elisa

A pesquisadora em sistemas agropastoris da Embrapa Amapá Ana Elisa disse que o estado tem condições suficientes para implantação do sistema, dependendo, conforme acrescentou, da demanda do produtor.

Segundo Elisa, com a entrada da agricultura no estado, surge a demanda pelo sistema. Ela aponta algumas adequações ainda necessárias devido as condições climáticas, diferente de outros estados, e garante que o mecanismo não causa risco ao solo, e, sim, acrescenta qualidade a ele, por meio da pastagem e da agricultura.

“Principalmente quando você faz o plantio direto que associa a pastagem à agricultura, você disseca a pastagem para, posteriormente, plantar sem revolvimento do solo. Essa matéria orgânica retém umidade no solo, aumenta a capacidade de troca de cátions dentro do solo, melhora a meso e micro fauna causando diversos fatores benéficos ao meio ambiente”, assegurou a pesquisadora.

Jesus Pontes, presidente da Associação dos Criadores do Amapá

A Associação dos Criadores do Amapá (Acriap), que tem mais de 20 criadores associados, participou da apresentação da nova ferramenta. Jesus Pontes, presidente da entidade, falou que três associados já demonstraram interesse pela novidade, colocando suas propriedades para servir de unidades de observação em parceria com a Embrapa.

“Todo fazendeiro tem em sua propriedade uma área ociosa para trabalhar com outras culturas. A gente pensa não só em fazer a integração lavoura pecuária, como também produzir peixe e fabricar ração dentro das fazendas”, falou.

Para mais informações sobre o sistema ILPF, a Embrapa disponibilizou o link https://www.embrapa.br/tema-integracao-lavoura-pecuaria-floresta-ilpf.

 

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