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SELES NAFES

Na estratégia de ligar sua imagem pessoal à figura do deputado federal Jair Bolsonaro (Patriota-RJ), o promotor aposentado Moisés Rivaldo vem conquistando simpatia, mas também um intenso desgaste que reverbera nas redes sociais. E não apenas para ele. Os respingos caem sobre o prefeito Clécio Luis (REDE), que o nomeou secretário de Educação de Macapá no início do ano, apesar do abissal antagonismo ideológico entre os dois.

A escolha de Moisés para a secretaria de Educação, evidentemente, não foi técnica. Clécio tinha uma dívida com o PEN (hoje Patriota), que aderiu a sua campanha no segundo turno de 2016.

O problema para Clécio, que é um político que defende o nivelamento social, independentemente da orientação sexual e da raça, é que Bolsonaro, ídolo em que o promotor Moisés se espelha, se comporta no sentido contrário.

Clécio Luis e Promotor Moisés no auge da campanha de 2016: diferença ideológica começou a pesar. Fotos: Cássia Lima

Só para lembrar algumas pérolas: além da notória polêmica com a deputada Maria do Rosário, Bolsonaro já chamou ministra de Estado de “sapatona”, insinuou que a ex-presidente Dilma era homossexual; e ainda teria cunhado a frase “ninguém gosta de homossexual, a gente suporta”.

Com essas polêmicas, Bolsonaro alimenta a imagem de extremo conservador, e arrebanha para si uma parcela da população intolerante com as diferenças e com discurso de ódio nas redes sociais. É esse o espelho do secretário de Educação de Macapá, cidade onde o prefeito incentivou o uso do nomes sociais para alunos com orientações sexuais diversas. 

Alguns dos protestos

A divulgação recente das fotos de um encontro do Patriota, em Macapá, serviu para mostrar quantos gumes tem essa faca. Nas fotos, correligionários ostentam camisas com os rostos de Bolsonaro e do Promotor Moisés. O mesmo ocorre numa faixa erguida com orgulho pelos militantes. Foi o bastante para uma chuva de críticas nas redes sociais ao promotor e ao prefeito por mantê-lo no cargo.

Faixa mostra que Promotor Moisés é Bolsonaro no Amapá: antagonismo

O bombardeio foi longo e pesado. Alguns questionaram como o prefeito de ideologia moderna pode ter um secretário que representaria a intolerância, ainda mais sendo o responsável por uma pasta com a importância que tem a Educação.

O promotor Moisés não ficou calado. Foi também para as redes sociais se defender. Disse que luta pelas bandeiras da “sociedade, de combate à bandidagem, ao tráfico de drogas e à corrupção”.

“Por isso me alio ao Bolsonaro (…)”, justificou.

“Quando sentei com o candidato Clécio, Senadores Randolfe e Davi, para dar meu apoio à reeleição de Clécio, não discutimos ideologias, mas uma união que não permitisse a volta de práticas não republicanas à administração municipal e não permitir que Macapá retrocedesse, enfim, de acreditar ser o melhor para a sociedade”.

Resta saber quanto tempo Clécio vai suportar esse desgaste.

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