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DA REDAÇÃO

A CPI do BNDES, criada para investigar irregularidades nos empréstimos concedidos pelo banco no âmbito do programa de globalização das companhias nacionais, e linha de financiamento à internacionalização de empresas, a partir de 1997, aprovou a realização de audiência conjunta com a CPI Mista da JBS, onde serão ouvidos os irmãos Joesley e Wesley Batista, acionistas controladores do Grupo J&F, do qual faz parte a JBS.

Presidida pelo senador Davi Alcolumbre (Democratas-AP), a comissão aprovou também convocação para ouvir no dia 1º de novembro, o presidente do Grupo EBX, Eike Batista, que recebeu recursos superiores a R$ 10 bilhões. A audiência com os donos da JBS está marcada para o dia 8 de novembro.

Com as audiências, a comissão quer esclarecer as circunstâncias da liberação de empréstimos de até R$ 8 bilhões ao grupo JBS pelo BNDES, e de investimentos realizados pela BNDESPAR, diretamente ou por meio das empresas controladas pelo grupo.

O presidente da comissão, senador Davi Alcolumbre, disse que vai marcar uma reunião entre as mesas das duas comissões (BNDES e Mista).

“Esta comissão tem um escopo próprio em relação aos empréstimos concedidos à internacionalização das empresas brasileiras no exterior. Mas, em algum momento, colide com a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito da JBS, tanto é que temos aqui requerimentos já aprovados de convocação dos proprietários da JBS” disse.

Para o relator da CPI, senador Roberto Rocha (PSDB-MA), as convocações são justificadas já que o grupo teria sido um dos maiores beneficiários individuais de recursos do banco, em valores que ultrapassariam R$ 8 bilhões. Roberto Rocha também sugeriu que haja um diálogo permanente da CPI do BNDES com a CPMI da JBS e J&F.

“Eu acho que isso é em benefício das duas comissões. Claro que são investigações distintas, mas que em determinados pontos se confundem – disse o senador, acrescentando que a medida vai evitar “dobrar esforços”.

Comissões vão se juntar em audiência em novembro Foto: Divulgação

Ex-presidente do BNDES

O ex-presidente do BNDES, Luciano Coutinho, negou em depoimento, na quarta-feira (25), na CPI do BNDES, que durante a gestão dele o banco tenha favorecido operações com empresas como JBS e Odebrecht. Ele dirigiu o banco de maio de 2007 a maio de 2016, período que abrange parte dos governos Lula (2003-2010) e Dilma Rousseff (2011-2016).

Coutinho falou também sobre os empréstimos feitos pelo BNDES para obras em outros países, como a construção do Porto de Mariel, em Cuba. Os parlamentares questionaram a razão de o BNDES financiar tantas obras em outros países. É o caso do Aqueduto do Chaco, na Argentina, obra liderada pela Construtora OAS, e a construção da segunda ponte sobre o Rio Orinoco, na Venezuela, pela Odebrecht. Outra obra atingida é a construção da Barragem de Moamba Major.

A comissão aprovou uma série de requerimentos que pedem a quebra do sigilo de operações, na Província de Caputo, em Moçambique, pela Andrade-Gutierrez. A CPI aprovou a quebra de sigilo de todas essas operações.

 

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