Compartilhamentos

CÁSSIA LIMA

“Elementos informativos apontavam algum envolvimento”, se limitou a dizer o delegado da Polícia Federal, Alain Leon, sobre prisão preventiva do promotor Moisés Rivaldo, empresário e atual secretário de Educação de Macapá, durante a “Operação Minamata”, nesta quinta-feira (30).

Durante entrevista logo após o cumprimento dos primeiros mandados, os responsáveis pela investigação informaram que uma fiscalização de 2015, do Ministério do Trabalho e Emprego, deu origem ao inquérito que investiga exploração ilegal de ouro, trabalho análogo à escravidão e danos ao meio ambiente. Os crimes estariam ocorrendo no garimpo do Lourenço, no município de Calçoene, com participação de uma cooperativa.

Apesar das muitas dúvidas da imprensa sobre a operação e o envolvimento dos presos, a Polícia Federal confirmou apenas a prisão preventiva de Moisés Rivaldo. Ele está sendo defendido pelo advogado Cícero Bordalo, que está solicitando prisão especial para o promotor.

O portal SELESNAFES.COM, no entanto, conseguiu apurar que houve também a prisão do empresário Gilson Colares Cohen, dono de uma empresa que compra ouro na capital, Macapá.

“Ele não pode ser responsabilizado pela cadeia produtiva do ouro que ele compra de forma regular”, comentou o advogado do acusado, Maurício Pereira, que também defende outro empresário investigado no Rio de Janeiro, e que também foi conduzido pela PF.

Delegado Alain Leon. Fotos: Cássia Lima

“Haverá desdobramentos da operação após o retorno de todas as equipes de campo. Mas a prisão preventiva (do promotor) ocorreu porque houve elementos informativos que apontavam algum envolvimento do preso. Não podemos dizer se a participação está comprovada. Mas a decisão foi fundamentada”, explicou o delegado.

Leon informou que a prisão preventiva e o bloqueio de bens do promotor ocorreram como medida de extensão acautelatória para eventual necessidade de reparação ao erário.

A Polícia Federal ainda não informou como ocorreu o esquema de exploração e comercialização do ouro. Já a chefe nacional do Serviço de Repressão do Trabalho forçado, Gabriela Madri Aquino, disse que as investigações apontam crime de condição análoga a trabalho escravo, previsto do artigo 149 do Código Penal.

“Estamos tentando combater essa situação que era ocultada através de uma cooperativa, que dava aparência legal, mas na verdade essas pessoas eram submetidas a escravidão, condições desumanas de trabalho e também eram mantidas em servidão por dívidas”, frisou.

Gabriela Aquino, chefe nacional de Repressão ao Trabalho Forçado

A cooperativa era usada como espécie de fachada, mas as pessoas que lá trabalhavam, de acordo com a PF, foram enganadas pelo sonho do ouro. A investigação aponta que pelo menos 24 trabalhadores teriam morrido em condições precárias de trabalho, a maioria por soterramento.

Os mandados estão sendo cumpridos no Amapá, Rio de Janeiro e São Paulo. Ao todo são seis mandados de prisão preventiva, 5 de prisão temporária, 8 de condução coercitiva, 30 mandados de busca e apreensão, e o bloqueio de R$ 113 milhões em patrimônio dos investigados.

Imagem de capa: Reprodução TV Equinócio.

Compartilhamentos