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SELES NAFES

O retorno do PT ao governo Waldez Góes (PDT), sete anos após o segundo mandato do pedetista, serviu para mostrar o tamanho da crise interna que separa a legenda em dois grupos.  O ex-presidente do partido, Joel Banha, que representa a corrente adversária da atual gestão encabeçada por Antônio Nogueira, disse que vai expulsar de seu grupo quem aceitar cargos no governo do Estado.

No último dia 18, os 36 membros do diretório estadual decidiram que o PT vai aceitar o convite de Waldez para integrar o governo. A secretaria a ser dirigida é a de Meio Ambiente (Sema), hoje conduzida pelo PDT. Na conta de Joel Banha, foram 19 votos pela aprovação e 16 contra a resolução. Nogueira informou que a diferença foi maior: 21 a 14 votos.

Apesar do clima de acirramento, Joel Banha afirma que não irá recorrer à direção nacional do partido.

“Depois do PED (eleição de Nogueira ocorrida setembro) nós demos um passo atrás para buscar a unidade. Quando se tem unidade, a (direção) nacional não intervém. Se for por 2/3 dos votos, a nacional não altera (o resultado). Por menos disso, pode ou não alterar”, explica.

Joel Banha diz que vai apenas comunicar a situação à CNB, corrente ideológica batizada de “Construindo um Novo Brasil”, que reúne parte da esquerda nacional, como o PSB, PDT, PCdoB, PT e PSOL.  

“Vamos comunicar nossa corrente que não estamos no governo do PDT, que não houve entendimento e a CNB está fora. (…) Cada um desses partidos tem um representante, mas o representante do PDT do Amapá, que é o deputado Roberto Góes, não segue a orientação do partido, e tem votado a favor do Temer ou então se abstém”, critica.

Ex-presidente do PT, Joel Banha: eleição para o governo não é prioridade

Outra discordância, diz o ex-presidente, seria quanto ao tamanho do espaço destinado por Waldez Góes ao PT.

“O PPS tem 17 segundos de televisão, mas tem as indicações na Caesa, Setrap e Imap. O PT, que tem 1 minuto e 26 segundos, tem apenas a Sema.  É preciso discutir (espaço) antes de entrar no governo, e não depois. Não vamos indicar ninguém, e qualquer pessoa do nosso grupo que aceitar cargo será expulsa do grupo”, avisa.

O ex-presidente revelou ainda que para o PT nacional a prioridade é eleger representantes no Congresso Nacional, em 2018. A eleição para os governos estaduais não está no plano mais urgente.

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