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De Santana, FERNANDO SANTOS

O segundo maior município amapaense registrou no primeiro semestre de 2017, mais de 1 mil casos de violência contra menores. Segundo o Conselho Tutelar de Santana, a maioria das ocorrências é de abuso sexual. Os dados deixaram em alerta as autoridades, que pretendem intensificar ações repressivas.

Os números foram apresentados na quarta-feira (22), e, além de abuso sexual, há informações de negligência contra menores, maus tratos e trabalho infantil.

De acordo com a conselheira tutelar Cris Nobre, os índices aumentaram por causa da divulgação mais presente do trabalho da entidade. Segundo ele, a população passou a denunciar mais.

“O que a gente pensa é que esse número é graças às nossas campanhas. Tem muita coisa que não é registrada. Vamos intensificar para que as pessoas denunciem certas situações e a gente cumpra com o nosso papel”, falou.

Conselheira tutelar Cris Nobre em atendimento Foto: Fernando Santos

Reclamação

Apesar de comemorarem a boa atuação do Conselho Tutelar, na divulgação dos trabalhos, os conselheiros reclamam de falta de condições de infraestrutura no prédio. Eles dizem que, recentemente, a prefeitura exonerou funcionários que prestavam serviço ao órgão, o que dificultou mais ainda o desempenho das atividades.

A categoria reclama também da faixa salarial dos conselheiros tutelares. Atualmente, os trabalhadores recebem cerca de R$ 2,2 mil, o menor salário no estado, perdendo para Macapá, Laranjal do Jari, Ferreira Gomes e Oiapoque.

“O que está ocorrendo é um completo descaso. Sem desmerecer, hoje o conselheiro tutelar de Santana merecia ganhar cerca de R$ 3 mil, devido a intensidade dos trabalhos. O município cresceu muito e, com ele, as ocorrências”, disse o conselheiro Ricardo Nascimento, presidente da entidade.

Conselheiro Ricardo Nascimento, presidente da entidade Foto: Fernando Santos

O vereador Dr. Fabiano (PR) visitou as dependências do Conselho Tutelar e constatou a situação. O parlamentar prometeu intervir na causa, cobrando providências ao poder municipal, para que atente para o cumprimento do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

“Vimos que é uma situação, no mínimo, delicada. Vamos buscar os mecanismos afim de garantir que os direitos da criança e do adolescente sejam cumpridos. É necessária uma resposta da prefeitura, e vamos verificar o que estaria acontecendo. O ECA precisa ser honrado em sua plenitude”, lembrou.

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