Por RODRIGO ÍNDIO
Há pouco mais de um ano, Maria Raimunda Palmeirim Rodrigues, de 76 anos, passou a conviver com uma doença degenerativa que está corroendo e deixando em carne viva todo o seu pé direto. Como as atividades na Unifap – onde ela recebia os cuidados médicos – foram suspensas por conta da pandemia, sua situação agravou.
Sem recursos financeiros para comprar gaze, esparadrapo, soro fisiológico e placas de alginato de cálcio e sódio, ela usa uma camisa de pano como curativo improvisado para cobrir o ferimento e estancar o sangue. A situação é tão agravante que ela já não anda e vive numa velha cadeira de rodas.
“Não sei que doença é. O médico me disse uma vez que pode ser úlcera. Dói muito, choro bastante todos os dias porque está em carne viva. Minha dor ameniza quando compro a placa que custa quase R$ 40, mas eu não tenho condições. Pode olhar minha geladeira e minha dispensa, não tem nada, só água, tá muito difícil”, desabafou.
O ferimento está crescendo e seria necessário pelo menos três placas por semana para o tratamento. Dona Maria Raimunda até vendeu sua casa para custear as despesas.
Hoje, ela mora sozinha com o esposo Calixto Rodrigues, de 70 anos, numa casa alugada no bairro Perpétuo Socorro, na zona leste de Macapá. No local, não há quase nada.
“Tenho 7 filhos, eles sempre me ajudaram, mas agora estão sem trabalhar também devido o corona e estão pra casa deles. Vendi minha casa pra comprar remédio, curativo e comida. Hoje pago R$ 450 de aluguel do auxílio doença que recebo. Não sei mais o que fazer a não ser pedir ajuda”, disse chorando Maria.
Casado com Raimunda há mais de 50 anos, seu Calixto é hipertenso e tem problemas na coluna. Ambos são da região do Pacuí. Debilitado, o idoso é quem faz as coisas para a mulher e explica o porquê.
“Mora só nós dois. Faço porque eu prometi amá-la até na doença, sinto dor nos afazeres, mas me dói mais ainda em ver ela assim, sofrendo. Quando eu trabalhava no garimpo, no campo, e ela de doméstica nunca passamos por dificuldade. Agora estamos mal e tenho medo dela morrer. Mesmo assim estaremos unidos até o fim”, garantiu Calixto.
O caso do casal chegou à reportagem através de Marlete Farias, de 35 anos, que é a pessoa quem faz os curativos em dona Maria Raimunda de forma voluntária. A vizinha detalha que conhece os idosos há décadas – quando moravam ao lado de sua casa – e sensibilizada com o que eles vêm passando decidiu buscar ajuda.
“Vejo o sofrimento dela com relação a ferida toda vez que venho fazer o curativo. Ela chora de dor. Isso me comoveu muito, inclusive saber que eles não têm o que comer aqui. Ela precisa muito de ajuda para que possa ter mais um pouquinho de conforto e pare de sofrer”, detalhou.
Dona Maria Raimunda tentou fazer o cadastro para receber os auxílios emergencial do governo federal e estadual mas foi reprovada por receber o auxílio doença. Seu esposo também não passou em nenhum dos processos.
Além dos remédios e comida, faltam roupas, ventilador, TV e uma nova cadeira de rodas para a idosa, já que a dela está toda enferrujada.
Quem tiver interesse e puder ajudar Maria Raimunda e Calixto Rodrigues, pode entrar em contato com o número (96) 99118-0556 e falar com Marlete Farias, já que os idosos são do grupo de risco da covid-19. Quem preferir pode fazer transferência bancária. Dados:
Banco do Brasil
Agência: 2825-8
Cc: 57450-3
Josiel Rodrigues