Por SELES NAFES
O delegado Yorran Lirio Prates Barbosa de Sousa, da Polícia Federal no Amapá, solicitou à 3ª Vara Cível de Macapá a cópia integral do processo de cobrança de um empréstimo de quase meio milhão de reais feito por um empresário ao prefeito Antônio Furlan (MDB). O caso, que havia sido arquivado por desistência, foi desarquivado.
A ação envolve o ex-presidente do Podemos, Cirilo Fernandes, e mais três pessoas, incluindo o prefeito Antônio Furlan. No processo, o empresário Josué Soares Dantas afirma que, em 2020, emprestou R$ 491 mil para Robson Gualberto com o objetivo de “suprir necessidades políticas” de Furlan, então candidato à prefeitura da capital. Sem detalhar o tamanho dos juros que seriam cobrados, o empresário relata que Gualberto prometeu devolver os valores no início de 2021, ano em que Furlan assumiria o cargo de prefeito.
Segundo Josué, entre outubro e dezembro de 2020, ele fez repasses para várias empresas e pessoas indicadas por Cirilo Fernandes e Robson Gualberto. O processo inclui notas fiscais, fotos de encontros e comprovantes de transferências como evidências.
“Ocorre que o intermediário responsável pelo empréstimo, Sr. ROBSON GUALBERTO, quando cobrado, após meses de espera pela devolução do numerário, veio afirmar que a dívida pactuada seria paga diretamente por Sr. ANTONIO FURLAN com a participação do Sr. ANTÔNIO CIRILO, o que também não ocorreu, e agora, todos tentam se esquivar do pagamento do compromisso assumido”, diz o empresário na petição inicial do processo, protocolado em 2023.
Viagens e negociações
Dantas afirmou ainda que precisou viajar a Macapá diversas vezes para se reunir com o prefeito e seus representantes (fotos acima), mas todas as tentativas de receber o valor devido foram infrutíferas. Gualberto teria chegado a assinar um documento de reconhecimento de dívida.
Depois disso, o empresário alega na ação que a assessoria jurídica de Furlan informou que o prefeito não reconhecia a dívida, apesar de diversos encontros para tratar do assunto entre dezembro de 2020 e maio de 2023, conforme mostram as fotos anexadas ao processo.
Em julho de 2024, o processo que pedia o pagamento de R$ 1 milhão (incluindo danos morais) foi arquivado devido à desistência de Josué Soares Dantas. No entanto, em novembro, a ação foi desarquivada após o pedido do delegado da Polícia Federal Yorran Sousa, que citou necessidade de instruir outro inquérito, conforme ofício assinado abaixo assinado por ele.