Por SELES NAFES
O secretário de Comunicação da Prefeitura de Macapá, Juarez Menescal, foi até a Câmara Municipal nesta terça-feira (25), atendendo a uma convocação aprovada pelos vereadores que queriam explicações sobre gastos suspeitos com verba pública. Apesar do nervosismo inicial, o secretário não teve dificuldades. Contudo, mentiu ao ser questionado sobre os investimentos altos da prefeitura em sua ex-empresa, que hoje pertence à sua ex-mulher. Na saída, ele evitou a imprensa e impediu o acesso de jornalistas ao segundo pavimento da prefeitura, onde ficam os gabinetes.
O depoimento dele na Câmara durou apenas 20 minutos. Menescal disse que o critério utilizado por ele para aplicar recursos públicos da publicidade é o alcance que o veículo de comunicação possui, contraditório ao que realmente aconteceu. Em janeiro, a prefeitura gastou R$ 54 mil (cinco vezes maior que a média em sites) para anunciar em uma página que tinha somente 40 seguidores até o dia 14 de fevereiro.
A agência R S Porto é administrada pela ex-esposa de Menescal, mas até outubro de 2024 pertencia a ele, conforme demonstra o CNPJ que é o mesmo. Em outubro, a empresa estava ativa prestando serviços ao gabinete do deputado federal Augusto Púpio.
“Ela (empresa) não estava sob a minha administração há muito tempo. É daqueles processos que a gente vai deixando, deixando e vai ficando. No passado, fiz a solicitação (de saída), e, a partir do momento que eu saí, não tenho mais gerência sobre ela”, argumentou.
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Galerias e plenário lotados para acompanhar fala do secretário…
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Menescal alegou critério de alcance para investimentos em publicidade, mas não explicou porque investiu R$ 54 mil para anunciar em página com 40 seguidores. Fotos: Seles Nafes
O secretário de Comunicação admitiu que a prefeitura tem uma agência contratada, a M2 Comunicação, responsável pela veiculação de campanhas publicitárias nos veículos de comunicação. Contudo, ele não explicou por que a R S Porto atuou como agência e contratou o espaço no site e na página Norte 360, criados este ano.
Além de dona da R S Porto, há indícios de que a ex-esposa de Menescal também seja responsável pela página e o site Norte 360, ou seja, ela é agência e veículo ao mesmo tempo. A ex-companheiro encaminhava convites (como administradora do perfil) para que internautas curtissem a página no Facebook.
“Quero deixar claro que os critérios de índice de desempenho são sempre critérios técnicos. A gente trabalha com números. Não interessa quantos posts no final do mês; o que interessa é o número (de alcance). São critérios extremamente técnicos”, alegou.
Os vereadores da base do prefeito Furlan não fizeram questionamentos e consideraram o depoimento do secretário satisfatório.
Saída à francesa
O secretário deixou o prédio da Câmara evitando o local destinado ao atendimento e às entrevistas com os jornalistas, que aguardavam a oportunidade de fazer perguntas que os vereadores não fizeram.
Sob a chuva, o secretário se dirigiu a passos apressados para a sede da prefeitura (que fica ao lado da Câmara), seguido por vários jornalistas. Ele não falou com nenhum dos profissionais e determinou que a Guarda Municipal impedisse os jornalistas de segui-lo dentro do prédio, que é público.
Depois de momentos de tensão entre jornalistas e guardas municipais (sem agressões), o secretário mandou dizer que só atenderia o Portal SN, convite que foi recusado prontamente em solidariedade aos colegas que também tinham sido barrados.
CPI
O vereador Claudiomar Rosa, autor do requerimento que convocou o secretário, adiantou que vai a fundo no tema. Para o parlamentar, o secretário não respondeu porque investiu alto em uma empresa com 40 seguidores e com tantas relações pessoais com ele.
“Foi muito superficial. Não me sinto contemplado nas perguntas que fiz. Queremos saber qual é o verdadeiro envolvimento dele com essa empresa e se algum dinheiro caiu na conta dele. A agência M2 é a empresa-mãe, mas o comando é do gestor municipal. Queremos saber o que o prefeito pensa disso. Se não der certo, vamos para a CPI, que tem poder de polícia”, adiantou.
“Se eu fosse o prefeito, já teria afastado o secretário para garantir a lisura desse processo”, concluiu.