Por SELES NAFES
Mesmo acumulando dívidas trabalhistas milionárias, a empresa Souza e Souza, que arrendou o Hospital Marco Zero, na zona sul de Macapá, decidiu expandir seus negócios e se unir com uma operadora de planos de saúde. A movimentação acontece enquanto a empresa enfrenta processos judiciais movidos por aproximadamente 40 médicos, que alegam não ter recebido salários e plantões entre 2023 e 2024.
A Souza e Souza assumiu o Hospital Marco Zero no dia 1º de março do ano passado, após um acordo de arrendamento com a Federação das Unimeds da Amazônia (Fama). A federação, que já havia tentado administrar o hospital sem sucesso, optou por repassar a unidade para a nova empresa, que pertence a três médicos e uma advogada, conforme apuração do Portal SN.

Empresa usa a estrutura deixa pela Unimed Fama. Foto: Olho de Boto/SN
Processos trabalhistas
Desde que assumiu o hospital, a Souza e Souza vem enfrentando dificuldades financeiras, especialmente com o pagamento de profissionais da saúde. Os processos trabalhistas abertos por médicos apontam atrasos salariais significativos e falta de pagamento por plantões realizados nos últimos dois anos. Em alguns casos, médicos cobram até R$ 200 mil em ações na justiça do trabalho. A estimativa é de que as dívidas somadas sejam superiores a R$ 6 milhões.
Mesmo diante desse cenário, a empresa agora aposta no mercado de planos de saúde, tentando ampliar sua atuação no setor. Nas redes sociais, os planos a serem atendidos no hospital são anunciados com cobertura nacional, a partir de R$ 364,19, pela operadora Select.

Anúncio do plano de saúde para atendimento no hospital
Usuários da Unimed
Em meio a essa crise, uma decisão judicial impactou ainda mais a Souza e Souza. Em dezembro de 2024, a juíza Keyla Utzig determinou que o Hospital Marco Zero deve garantir o atendimento de todos os usuários da Unimed Fama no estado. Estima-se que esse público varie entre 4 mil e 6 mil pessoas.
A Fama tem conseguido manter em funcionamento os centros de diagnóstico e fisioterapia que construiu durante sua tentativa de gerir o plano de saúde no Amapá.