Por RODRIGO DIAS
O cheiro de fumaça ainda paira no ar e as marcas do incêndio de quarta-feira (27) permanecem visíveis na Rua Samuel Trajano de Souza, no bairro Jardim Marco Zero. Entre os destroços de 11 casas destruídas, a história de Ediloncio da Silva, 66 anos, chama atenção. Sua residência de madeira, fruto de 20 anos de trabalho, foi a primeira a ser consumida pelas chamas. Ainda assim, em meio à devastação, ele encontra motivos para agradecer.
Morando com 13 familiares, incluindo um adolescente de 13 anos e uma bebê, Ediloncio viu tudo se perder em questão de minutos. “Foi um momento difícil, desesperador, não deu tempo de tirar nada. A casa foi completamente tomada pelo fogo”, relata o carpinteiro. Mesmo diante da perda total, sua maior preocupação não era com os bens materiais.
“Perdi tudo. O sentimento é só de graças a Deus que ficamos com vida”, disse, com a voz embargada, mas serena. Para ele, a vida da família é a maior riqueza, e a fé, o alicerce para seguir em frente.

A destruição era evidente …

… por todos os lados da propriedade de Ediloncio
Esperança no recomeço
Ediloncio não se deixa abater pela tragédia. Convicto de que é possível recomeçar, inspira vizinhos e amigos. “É recuperar o que a gente perdeu, né? Começar de novo. Com a ajuda de Deus, dos amigos e da população, a gente já vai conseguir erguer, se Deus quiser”, afirma.
“Ontem eu falei que a gente não pode perder a esperança, a fé. Agradeço a Deus, porque nós ficamos bem. Não teve vítima no incêndio, nem em casa alguma”, reforça.

Ediloncio perdeu tudo. Fotos: Rodrigo Dias
O carpinteiro também demonstra solidariedade com os vizinhos que enfrentam a mesma dor. “As pessoas que perderam suas casas junto comigo, com certeza é difícil para elas. Mas a gente vai erguer, se Deus quiser, no nome de Jesus”.
Enquanto as chamas consumiram o trabalho de uma vida, a fé inabalável de Ediloncio continua a iluminar o caminho — lembrando que a verdadeira força de um ser humano não está no que possui, mas na capacidade de se reerguer e manter a esperança viva, mesmo em meio às cinzas.
As ações de assistência social do Estado e do município já começaram a ser implementadas no local.