Por SELES NAFES
Vinte e um alunos de um curso de Técnico em Floresta tiveram a oportunidade de conhecer de perto dois dos maiores empreendimentos de manejo sustentável da Região Norte: a TW Forest e a Associação ATEXMA, instaladas no município de Mazagão, sul do Amapá. A visita técnica aproximou os estudantes da realidade do setor madeireiro e mostrou, de forma prática, como funciona a exploração florestal dentro das normas ambientais e do conceito de desenvolvimento sustentável.
Os estudantes são do Centro Integrado de Formação Profissional em Pesca e Aquicultura do Amapá (Cifpa). Acompanhados pelo diretor Rômulo Vasconcelos, e pelo coordenador do curso de Agroecologia, o biólogo Odirlei Moreira, os estudantes foram recebidos por engenheiros florestais da empresa, que explicaram todo o processo de manejo.
Para muitos, foi a primeira vez vendo em campo o que aprenderam em sala de aula. A experiência reforçou a importância do manejo sustentável como ferramenta de geração de emprego, renda e conservação ambiental — um equilíbrio essencial na Amazônia.
“Eles viram do ponto de vista conceitual, com a explicação dos engenheiros florestais, o que é um plano de manejo dentro de uma visão de preservação aliada ao desenvolvimento econômico”, ressaltou o diretor.

Estudantes entraram na floresta e entenderam o processo de extração
O que é o manejo florestal
A TW Forest e a Associação ATEXMA trabalham com exploração de madeira de lei em áreas divididas em Unidades de Produção Anual (UPAs). Em cada uma delas, a retirada de árvores é limitada e segue critérios técnicos rigorosos. Até três árvores são extraídas em uma área equivalente a um campo de futebol.
O restante da floresta permanece em pé, mantendo o equilíbrio ecológico e a regeneração natural, permitindo a renovação da floresta por meio do surgimento de milhares de árvores jovens que ocupam as pequenas clareiras deixadas pela retirada de exemplares envelhecidos.

Com os engenheiros da TW Forest
Todo o processo é monitorado, desde a derrubada autorizada até o transporte das toras, e é fiscalizado por órgãos estaduais e federais. As árvores extraídas recebem identificação individual e podem ser acompanhadas por satélite, sendo rastreadas até o destino final, seja no Brasil ou no mercado internacional. Para o diretor do Cifpa, esse acompanhamento reforça a seriedade do manejo profissional.
“A empresa opera dentro das normas técnicas e ambientais exigidas pelos órgãos reguladores. É um projeto desenvolvido com bastante responsabilidade pelos engenheiros. E isso transmite segurança, desmistificando o senso comum sobre desmatamento e sobre riquezas que simplesmente vão embora”, avaliou Vasconcelos.
Formação técnica e impacto regional
Há 16 anos funcionando no Distrito Industrial, na rodovia que liga Macapá a Mazagão, o Cifpa integra a rede estadual de educação e oferece cursos técnicos de um ano e meio em Floresta, Agroecologia e Pesca. A instituição conta com corpo docente formado por nove mestres, três doutores e cinco especialistas.

Centro de Pesca e Floresta tem mais de 200 alunos da zona rural de Macapá, Santana e Mazagão
Atualmente, o centro possui 235 alunos, entre 16 e 56 anos — alguns já graduados, em busca de ampliar a formação técnica. Cerca de 95% dos estudantes vêm de comunidades da região, como Mazagão Velho, Mazagão Novo, Carvão (Mazagão), Anauerapucu (Santana), Porto do Céu e o bairro Coração, em Macapá. O mais experiente tem 70 anos.
Durante a visita, a direção do centro também iniciou conversas com a empresa sobre futuras parcerias voltadas à qualificação profissional no setor madeireiro.
“Propusemos à empresa, para ajudar a desmistificar o senso comum, uma parceria para instalarmos uma unidade do curso em Mazagão ou no Maracá, para qualificarmos mão de obra. Seria uma cooperação com a empresa e também com o Estado”, concluiu o diretor.
