Da REDAÇÃO
Acusada de matar o companheiro durante uma discussão, a mulher trans Kelly Ramos, de 33 anos, foi solta pela Justiça do Amapá após audiência de custódia realizada nesta segunda-feira (29).
A decisão é do juiz Robson Timóteo Damasceno, que concedeu liberdade provisória à investigada, mediante o cumprimento de condições judiciais, ao entender que não estavam presentes os requisitos para a conversão da prisão em preventiva.
Kelly havia sido presa em flagrante na madrugada do último domingo (28), após a morte de Yosmar Reve Camacho, de 32 anos, em uma vila de quitinetes localizada na Avenida Macedônia, no bairro Renascer II, zona norte de Macapá. A vítima foi atingida no pescoço por um gargalo de garrafa de cerveja e morreu ainda no local, apesar do atendimento das equipes de emergência.
De acordo com o advogado de defesa, Kairon Leone, a audiência teve como objetivo analisar a legalidade da prisão e a possibilidade de manutenção da custódia. Segundo ele, o magistrado concluiu que Kelly não representa risco à ordem pública nem preenche os critérios legais para a segregação cautelar.

Advogado de defesa Kairon Leone
“Conseguimos a liberdade provisória da Kelly para responder ao processo em liberdade”, comemorou o advogado.
Ainda segundo ele, a conduta da acusada se deu em contexto de legítima defesa. Ele sustenta que Kelly reagiu a uma agressão física imediata praticada pela vítima, que não aceitava o término do relacionamento.
O advogado relatou que o casal mantinha um relacionamento havia cerca de três meses e que aquela não teria sido a primeira vez que Kelly sofria agressões. Na versão apresentada, não houve intenção prévia de matar, mas uma reação diante da violência sofrida.
A defesa também destacou que, após o ocorrido, Kelly tentou prestar socorro a Yosmar. Quando a Polícia Militar chegou ao local, acionada pelo Centro Integrado de Operações em Defesa Social (Ciodes) após moradores ouvirem gritos e sons de briga, a investigada estava ao lado da vítima tentando conter o sangramento com uma toalha.
Apesar da atuação do Corpo de Bombeiros e do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), o ferimento foi grave e o óbito foi confirmado no local.

O gargalo usado no crime
Segundo a PM, Kelly não apresentava lesões aparentes, colaborou com a guarnição e não houve necessidade do uso de algemas.
Informações sobre a vida pessoal de Kelly, como sua participação no concurso “Mais Bela Negra Diversidade 2025” e sua atuação como passista em escolas de samba, repercutiram nas redes sociais após o caso ganhar notoriedade.
Mesmo com a concessão da liberdade provisória, o caso segue sob investigação da Polícia Civil.

