Abuso sexual contra crianças representa mais de 50% dos acolhimentos no Amapá

Unidade de acolhimento do Hospital da Criança registrou aumento de 14% na procura por ajuda. Dados apontam que negligência e atos autoprovocados também cresceram. Foto: Arquivo/Savvi
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De Macapá (AP)

Sobe o número de crianças que chegam ao HCA vítimas de maus-tratos e abuso sexual no Amapá. O crescimento nas estatísticas mantém em alerta os órgãos de proteção e reforça a necessidade de vigilância constante, uma vez que a maioria dos casos de agressão tem origem dentro do próprio ambiente familiar.

O cenário de vulnerabilidade é detalhado pelos registros do Serviço de Atendimento a Vítimas de Violência Infantil (Savvi), unidade vinculada ao Hospital da Criança e do Adolescente (HCA). Em 2025, o setor contabilizou 117 acolhimentos, um salto em comparação aos 102 casos reportados no ano anterior. Do total de ocorrências registradas em 2025, 53,8% correspondem a episódios de abuso sexual, o que resultou em 63 atendimentos especializados, principalmente de crianças e adolescentes na faixa etária entre 10 e 12 anos.

Embora o percentual de violência sexual tenha apresentado uma leve redução em relação ao ano de 2024 — quando representava 65% das demandas —, as equipes de saúde identificaram um avanço preocupante em outras frentes. O balanço revela um aumento nas violências autoprovocadas e o registro de 36 casos de negligência, evidenciando a complexidade dos conflitos enfrentados pelos menores.

Hospital da Criança e do Adolescente contabilizou em 2025 um total de117 acolhimentos. Foto: arquivo SN

O acolhimento oferecido na unidade vai além do suporte médico imediato, garantindo às vítimas uma escuta qualificada, sigilo e assistência humanizada. Esse trabalho é realizado em parceria com uma rede estadual de proteção que envolve o Conselho Tutelar, o Ministério Público, a Polícia Científica e a Delegacia Especializada da Criança e do Adolescente (Deca).

Segundo os responsáveis técnicos do serviço, o aumento nos números também reflete uma maior confiança da população na rede pública, permitindo que as vítimas cheguem ao sistema para interromper o ciclo de violações. Pela legislação brasileira e pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), a notificação de qualquer suspeita ou confirmação de maus-tratos é obrigatória, devendo ser reportada imediatamente para garantir o suporte social, psicológico e jurídico das vítimas.

Seles Nafes
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