Filho de gari e servente alcança 980 na redação do Enem e sonha em ser do Bope

Morador de Santana, estudante de escola pública e filho de trabalhadores da limpeza, Ênzio Alves Pureza alcançou uma das maiores notas no Amapá
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Por RODRIGO ÍNDIO, de Macapá (AP)

Em um mundo cada vez mais conectado e cheio de distrações, a receita para o sucesso pode parecer simples, mas exige uma disciplina de ferro. É o que demonstra Ênzio Alves Pureza, um jovem de 18 anos, morador do bairro Provedor 1, em Santana.

Aluno de escola pública durante toda a vida, Ênzio conquistou a marca impressionante de 980 pontos na redação do Enem 2025 em sua primeira tentativa — um feito compartilhado por poucos estudantes em todo o Amapá.

Um entre cinco irmãos, Ênzio traz o esforço no DNA. Seu pai, Leomar, atua como gari, e sua mãe, Dona Aida, é servente hospitalar.

“Eles são meu principal incentivo. Vim de uma família humilde e preciso dar uma vida boa para eles”, revela o jovem.

Sem cursinho particular, jovem atribui resultado ao apoio da família e ao trabalho dos professores da rede estadual. Foto: arquivo pessoal

Disciplina, rotina de estudos e afastamento de distrações marcaram a trajetória do estudante de 18 anos, que fez o Enem pela primeira vez. Foto: Rodrigo Índio/SN

Enquanto muitos jovens se perdem no uso excessivo de telas, ele adotou uma postura focada. Sua preparação não contou com cursinhos particulares, mas sim com o suporte fundamental da Escola Estadual José Ribamar Pestana. O estudante destaca o papel crucial do corpo docente, especialmente o do Professor Rodrigo.

“Ele me ensinou a lidar com o texto, a pontuação e a leitura. O professor inclusive passou um tema que caiu na redação! Os simulados constantes foram essenciais para os meus 980 pontos”, afirma Ênzio.

Os planos de Ênzio para o futuro mostram uma dualidade fascinante. No campo acadêmico, ele busca uma vaga em Biomedicina, área em que pretende se especializar. No entanto, seu verdadeiro sonho brilha nos olhos quando o assunto é o serviço à pátria: ele deseja ser Fuzileiro Naval e, posteriormente, integrar o BOPE (Batalhão de Operações Policiais Especiais).

Filho de gari e de servente hospitalar, Ênzio destaca o apoio dos pais e o esforço diário da família como base fundamental para a conquista histórica no Enem. Foto: arquivo pessoal

Ênzio credita parte essencial do desempenho ao professor Rodrigo, que orientou a leitura, a escrita e a prática constante de redação ao longo da preparação. Foto: arquivo pessoal

A paixão pela farda não é de hoje. O BOPE já foi até tema de festa de aniversário de Ênzio, que já visitou o batalhão para conhecer seus heróis de perto. Atualmente, ele já colhe os frutos de sua dedicação: está em processo de seleção para a Marinha do Brasil, enfrentando a rotina de treinamentos físicos com a mesma seriedade que dedicou aos livros.

Para Ênzio, o resultado não foi sorte, mas a consequência natural de um estilo de vida que ele mesmo desenhou. Ao receber a nota, a reação foi de serenidade; a sensação de dever cumprido por quem sabia exatamente o que estava fazendo.

Para quem vai encarar o Enem 2026, ele é categórico:

“A gente precisa colocar o estudo como prioridade. Por mais que seja algo chato às vezes, o resultado depende de nós mesmos. A vida não é só condição, é decisão”.

Desde a infância fascinado pela farda, Ênzio se prepara para a Marinha e sonha integrar o BOPE. Foto: arquivo pessoal

 

Com rotina rígida de estudos, simulados frequentes e foco total nos livros, o estudante manteve a disciplina como eixo central da preparação para o Enem. Foto: arquivo pessoal

Com a maturidade de quem sabe onde quer chegar, o jovem alerta para a importância de evitar amizades que não somam aos objetivos de vida.

Para ele, afastar-se temporariamente de distrações e de pessoas que não compartilham o mesmo foco foi um passo vital para garantir que sua energia estivesse totalmente voltada para a conquista dos seus sonhos.

A história de Ênzio Alves reafirma a força da escola pública e prova que, com o apoio da família, a orientação de bons professores e uma conduta inabalável, os jovens amapaenses podem ocupar qualquer espaço — seja em um laboratório de pesquisa ou nas forças de elite do país.

Seles Nafes
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