Por OLHO DE BOTO, de Macapá (AP)
A Polícia Civil do Amapá desarticulou uma organização criminosa especializada no golpe conhecido como “Falsa Central de Segurança”, um dos crimes virtuais que mais faz vítimas no país. No Amapá, várias pessoas foram lesadas, e cada vez que a investigação vai avançando , mais vítimas vão aparecendo.
Até o momento, a ofensiva resultou no indiciamento de 11 pessoas e no bloqueio judicial de bens de todos os envolvidos, incluindo quatro empresas de fachada usadas para lavar o dinheiro do golpe, situadas nos Estados do Rio de Janeiro e São Paulo.
A ação foi conduzida pelo delegado Nicolas Bastos, da Delegacia Especializada de Repressão a Fraude Eletrônica (DERFE), após uma vítima amapaense sofrer um prejuízo de R$ 36.759,99, em março de 2025.
O esquema era dividido em duas etapas: primeiro a vítima era atraída por um perfil falso de loja no Instagram, em seguida, criminosos entravam em contato se passando por uma central de segurança bancária, induzindo o alvo a realizar transferências via PIX.

Segundo o delegado Nicolas Bastos, da DERFE, os criminosos fragmentavam os valores em transferências menores para tentar driblar os sistemas de alerta dos bancos. Foto: Olho de Boto/SN
Com base nas provas reunidas, a Justiça determinou o sequestro de valores das 11 pessoas físicas e das 4 pessoas jurídicas usadas para ocultar e movimentar o dinheiro ilícito.
As investigações revelaram o uso de CNPJs para dar aparência de legalidade às transações. Uma das empresas bloqueadas movimentou mais de R$ 334 mil em apenas 38 dias, exclusivamente via PIX , valor superior à metade de todo o faturamento anual declarado. Outras empresas funcionavam apenas como “contas de passagem”, usadas para escoar o dinheiro do crime.
Segundo Bastos, os criminosos aplicavam a técnica conhecida como “smurfing” ou estruturação: logo após o golpe, o valor era fragmentado em várias transferências menores, como R$ 999, R$ 998 e R$ 997, numa tentativa de driblar os sistemas de alerta dos bancos.
Os criminosos foram indiciados por Fraude Eletrônica e Lavagem de Dinheiro. O inquérito já foi encaminhado ao Poder Judiciário e ao Ministério Público. A polícia alerta que bancos nunca solicitam senhas, transferências para desbloqueio ou segurança de contas. Caso isso ocorra, desligue e procure seu banco pelos canais oficiais.
