Grávida é baleada na cabeça e luta pela vida em Macapá

Adolescente apreendido diz que tiro foi “acidental”, mas polícia investiga possível tentativa de feminicídio
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Por RODRIGO ÍNDIO, de Macapá (AP)

A violência contra a mulher registrou mais um capítulo brutal nesta sexta-feira (30), na capital amapaense. Uma jovem de 22 anos luta pela vida no Hospital de Emergência de Macapá (HE) após ser atingida por disparos de arma de fogo na região da cabeça, no bairro KM-9. O principal suspeito, um adolescente de 17 anos com quem a vítima mantinha um relacionamento, já foi apreendido.

A vítima foi socorrida por uma equipe da Polícia Rodoviária Federal (PRF) após um popular pedir ajuda. Ela deu entrada na unidade hospitalar em estado crítico. De acordo com fontes internas do HE, a jovem chegou em parada cardiorrespiratória e precisou passar por manobras de reanimação antes de ser estabilizada e entubada.

A gravidade do caso foi confirmada por exames de imagem. Embora não houvesse sangramento externo abundante inicial, os médicos localizaram um orifício de entrada centralizado na cabeça.

“Foram dois projéteis alojados, um na cabeça e outro na região do pescoço. Pela dinâmica do trauma, a suspeita é de que ela estivesse de joelhos no momento dos disparos, configurando uma execução”, revelou uma fonte do hospital sob condição de anonimato.

Apreensão do namorado por agentes da Deam

Devido à localização das balas, a equipe médica considera altíssimos os riscos de morte encefálica.

A Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam) agiu rápido. Sob a coordenação da delegada titular Marina Guimarães, o adolescente de 17 anos foi localizado e apreendido poucas horas após o crime.

Segundo a investigação preliminar, o adolescente teria buscado a namorada na casa da mãe dela na noite de quinta-feira (29), por volta das 23h. Ele alegou que o disparo ocorreu na manhã de sexta-feira (30), mas no HE foram encontrados dois projéteis alojados. O próprio investigado relatou que a jovem estaria grávida de aproximadamente dois meses.

Contradições e a versão do suspeito

Em seu depoimento, o menor alegou que o disparo teria sido “acidental” e provocado pela própria vítima, versão que a Polícia Civil encara com ceticismo e que será confrontada por perícias técnicas.

Dinâmica dos disparos, em análise inicial, mostra que vítima estava de joelhos

Há também pontos nebulosos sobre o socorro. Embora o suspeito tenha ajudado inicialmente, ele fugiu logo em seguida. Além disso, um homem que se identificou como cunhado da vítima acompanhou a viatura da PRF, mas demonstrou extremo nervosismo e hesitação em fornecer os dados da vítima no momento da admissão hospitalar.

O caso segue sob investigação da Deam. O adolescente foi submetido aos procedimentos legais pelo delegado plantonista Júlio César Darques e permanece à disposição da Justiça. A polícia agora busca confirmar a motivação e se o histórico do casal aponta para um crime de tentativa de feminicídio.

Seles Nafes
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