Há duas décadas, artesão aposta na madeira reaproveitada para criar peças manuais e criativas

José Randal comercializa os produtos apesar da dificuldade do setor de artesanato
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Por JONHWENE SILVA, de Santana (AP)

Aos 60 anos, José Randal Rocha Pontes, morador de Santana, que fica na região metropolitana de Macapá, carrega nas mãos mais do que madeira: carrega histórias, paciência e um talento descoberto ainda na juventude. Há mais de duas décadas, ele atua no ramo da madeira reaproveitada, transformando troncos que um dia fizeram parte da paisagem ribeirinha em peças únicas de artesanato.

Foi aos 18 anos que José Randal percebeu que tinha um dom. O que começou como curiosidade e habilidade natural logo se transformou em produção artesanal. Hoje, as ideias nascem do contato direto com a natureza. Inspirado por artigos e vivências ribeirinhas, ele coleta troncos de árvores e, já na cidade, dá forma a cada peça com cuidado minucioso.

Da petisqueira…

…ao jogo de mesa, artesão de Santana transforma madeira reaproveitada em peças únicas, mantendo viva a arte manual. Fotos:

Na sua casa, praticamente tudo pode ser produzido. Petisqueiras, tábuas de corte, porta-chaves e esculturas de animais, como o delicado boto, revelam a versatilidade do artesão. Entre as criações mais valorizadas está um jogo de mesa, que pode chegar a R$ 1 mil, enquanto petisqueiras variam entre R$ 250 e R$ 280.

Ainda assim, José Randal faz questão de ser honesto: o artesanato, apesar de ser sua paixão, não é suficiente para garantir sua sobrevivência financeira. Ele reconhece que viver de arte no Brasil ainda é um desafio. Mesmo assim, não abre mão do que ama fazer. Cada peça é produzida com paciência, carinho e dedicação, valores que, segundo ele, são tão importantes quanto a técnica.

José Randal mantém viva a tradição do artesanato manual com madeira reaproveitada

Com talento descoberto ainda jovem, José Randal aposta no reaproveitamento da madeira como forma de expressão

“A gente sabe que não é fácil viver de artesanato, é muito complicado. Mesmo assim a gente produz porque gosta e tem esse talento. Eu, às vezes, quando vejo uma peça na natureza e logo imagino o que pode ser criado. E assim vai. É muito satisfatório ver a peça transformada, depois de imaginar que aquilo iria se decompor e se acabar na natureza”, ressalta Randal.

Aos 60 anos, artesão segue criando peças em madeira que unem sustentabilidade, memória e identidade amazônica

Com toda dedicação, o trabalho de José Randal resiste para a contemplação. Olhar para a madeira reaproveitada e enxergar nela não apenas um produto, mas uma história cuidadosamente esculpida com carinho e dedicação, não tem valor. Os interessados em adquirir as peças produzidas pelo artesão, podem entrar em contato através do telefone 96 – 99907 – 4481.

Seles Nafes
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