Mulher de 50 anos morre e pai é internado após consumo de açaí

Caso ocorreu em Ananindeua, na região metropolitana; pai de 70 anos também teve sintomas graves
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Por PEDRO PESSOA, de Belém

Autoridades de saúde do Pará investigam a suspeita de que mais uma pessoa tenha morrido em decorrência da doença de Chagas após o consumo de açaí, no município de Ananindeua, na região metropolitana de Belém. Já são 27 casos confirmados.

A vítima é Cíntia Machado, de 50 anos. Ela foi internada às pressas após apresentar sintomas compatíveis com a doença. Ao saber da gravidade do quadro, a irmã de Cíntia viajou de Minas Gerais para o Pará. Segundo o relato da familiar, os sintomas começaram pouco tempo depois do consumo do alimento.

Cíntia foi internada às pressas com sintomas compatíveis com a doença. Fotos: Reprodução

“Ela consumiu açaí e, dois dias depois, começaram os sintomas de febre. Então não tem outra desculpa, se não foi o açaí”, afirmou.

Além de Cíntia, o pai dela, de 73 anos, também precisou de atendimento médico e foi internado em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), com falta de ar, inchaço nas pernas e dores pelo corpo. O quadro clínico dele é considerado estável. De acordo com a família, o idoso também consumiu açaí, mas em pequena quantidade.

A Secretaria Municipal de Saúde de Ananindeua informou que aguarda o resultado de exames laboratoriais para confirmar se a morte de Cíntia foi causada pela doença de Chagas. O prazo para a conclusão dos laudos é de até 15 dias.

Ronaldo Maia, de 26 anos, tinha sido a última vítima

Atualmente, Ananindeua contabiliza 27 casos confirmados de contaminação pela doença de Chagas e uma morte oficialmente confirmada. A vítima foi Ronaldo Maia, de 26 anos, que, segundo as investigações, consumiu açaí contaminado pelo barbeiro, inseto transmissor da doença.

Diante do cenário, estabelecimentos que comercializam açaí na região passaram por vistorias sanitárias. Especialistas reforçam que o risco de transmissão está relacionado à manipulação inadequada do fruto. O barbeiro ou suas fezes podem contaminar o alimento durante o processamento, permitindo a presença do protozoário Trypanosoma cruzi, causador da doença.

“O açaí em si, quando é bem cuidado e corretamente processado, não transmite a doença de Chagas”, destacam técnicos da área de saúde.

A família de Cíntia Machado pede agilidade nas investigações e na divulgação dos resultados, para esclarecer as circunstâncias do caso e evitar novas possíveis contaminações.

Seles Nafes
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