Por PEDRO PESSOA, de Belém
O Pará voltou a registrar aumento nos casos de feminicídio em 2025 e ocupa, mais uma vez, o primeiro lugar no ranking da Região Norte. De janeiro a novembro, 56 mulheres foram assassinadas em razão do gênero no estado, nove a mais do que no mesmo período do ano passado. Um crescimento de aproximadamente 19%. Os dados refletem uma realidade que se repete em todo o país e coloca a violência contra a mulher como um dos principais desafios de segurança pública no Brasil.
Em âmbito nacional, o cenário também é alarmante. Segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública, 1.324 mulheres foram vítimas de feminicídio no Brasil entre janeiro e início de dezembro deste ano. Isso representa uma média de quatro mulheres mortas por dia, vítimas, na maioria das vezes, de companheiros ou ex-companheiros. Especialistas alertam que os números podem ser ainda maiores, devido à subnotificação de casos e à dificuldade de tipificação do crime em algumas regiões.
Crimes recentes
Os números ganham rostos e histórias em casos recentes registrados no interior do Pará, que chamaram atenção pela brutalidade e pelo contexto em que aconteceram. Um dos episódios ocorreu em Salinópolis, no nordeste do estado. Câmeras de segurança flagraram o momento em que um homem deixa a casa correndo após atear fogo na ex-companheira e na própria filha, de 11 anos. As imagens mostram a fuga logo após o ataque, enquanto vizinhos tentam entender o que havia acontecido.

Momento em que vizinho socorre vítimas queimadas
A mulher, de 30 anos, teve cerca de 70% do corpo queimado durante a tentativa de feminicídio. Ela foi socorrida e permanece internada em estado estável. A criança também ficou ferida, mas não corre risco de morte e segue sob acompanhamento médico.
De acordo com a polícia, o suspeito fugiu do local em uma motocicleta logo após o crime. A fuga foi monitorada e ele acabou localizado horas depois, sendo preso. Durante o interrogatório, o homem confessou o ataque. O caso é investigado como tentativa de feminicídio e lesão corporal contra a criança.
Familiares afirmam que a violência não era um episódio isolado. Segundo relatos, a vítima já havia sofrido agressões anteriores e chegou a procurar ajuda das autoridades.
“A minha irmã foi à delegacia, registrou boletim de ocorrência e conseguiu medida protetiva contra ele. Mesmo assim, a tragédia aconteceu”, relatou David Nascimento, irmão da vítima.
Santarém
No mesmo fim de semana, outro crime foi registrado no oeste do Pará. Em Santarém, uma mulher de 45 anos foi encontrada morta dentro de casa. O companheiro da vítima é apontado como autor do crime. Ele foi preso.
A polícia apura as circunstâncias do assassinato e investiga se a mulher também já havia sofrido episódios de violência doméstica antes da morte. Familiares e amigos pedem justiça.

Caso ocorrido em Santarém
Pedidos de ajuda que não foram suficientes
Segundo a Polícia Civil, muitos casos de feminicídio e tentativa de feminicídio são precedidos por denúncias, registros de ocorrência e pedidos de socorro. Mesmo assim, nem sempre as medidas adotadas conseguem impedir a escalada da violência.
Especialistas explicam que o período de separação ou término do relacionamento costuma ser um dos momentos mais perigosos para as vítimas. A insistência do agressor, aliada à sensação de perda de controle, pode aumentar o risco de ataques mais graves.
Organizações de defesa dos direitos das mulheres reforçam que qualquer ameaça deve ser levada a sério. Denúncias podem ser feitas em delegacias, por meio de canais oficiais e serviços de emergência. O acompanhamento contínuo dos casos e a atuação integrada das autoridades são apontados como fundamentais para evitar que novos crimes aconteçam.
