Por RODRIGO ÍNDIO, de Macapá (AP)
A Polícia Civil do Amapá, por meio da Delegacia Especializada de Repressão a Narcóticos (Denarc), deflagrou na manhã desta quarta-feira (21) a Operação “Cavalo de Tróia”, que resultou na prisão preventiva de um policial penal de 35 anos suspeito de integrar organizações criminosas e atuar no tráfico de drogas dentro do Instituto de Administração Penitenciária do Amapá (Iapen).
A prisão ocorreu no momento em que o servidor — que ainda cumpre estágio probatório — se apresentava para iniciar o plantão no presídio. Além do mandado de prisão, agentes também cumpriram busca e apreensão na residência do investigado, no bairro Provedor, no município de Santana.
As investigações apontam que o policial, identificado pela reportagem como Clebson Cardoso de Souza, que também atua como tatuador, recebia cerca de R$ 30 mil por cada transporte de materiais ilícitos para o interior do sistema penitenciário. A estimativa é que ele tenha repetido a operação ao menos três vezes.

De acordo com as investigações, o policial receberia até R$ 30 mil por entrega. Fotos: Rodrigo Índio/SelesNafes.Com
O caso começou a ser desvendado em agosto de 2025, após a prisão de um motociclista com uma pistola, munições e 1 kg de droga. A extração de dados do celular do suspeito revelou que o policial penal seria o destinatário final do material.
“A gente pôde identificar que esse policial receberia aquele material ilícito e levaria para dentro do Iapen. Diante da identificação e de outros elementos colhidos, pedimos a prisão preventiva”, explicou o delegado titular da Denarc, Leonardo Alves.

Policial, que foi preso quando chegava para o plantão, também é réu num processo por tentativa de homicídio recente

Delegado Leonardo Alves pediu a prisão preventiva
Perfil do suspeito
Clebson tomou posse no cargo em março de 2025 e não completou sequer um ano de serviço. Segundo a polícia, ele também possui um histórico criminal recente: é réu por tentativa de homicídio, ocorrida em outubro de 2025 no Igarapé da Fortaleza, além de registros em boletins de ocorrência relacionados a crimes menores.
Durante a ação desta quarta-feira, o celular do agente foi apreendido. Ele se recusou a informar a senha e optou por permanecer em silêncio durante o interrogatório.
O inquérito entra agora em uma nova fase, voltada à análise financeira do esquema. A Polícia Civil pretende identificar quem patrocinava a operação, a origem dos entorpecentes e se houve lavagem de dinheiro.
O servidor poderá responder pelos crimes de tráfico de drogas, porte ilegal de arma de fogo e integração de organização criminosa.

