Por SELES NAFES, de Santana (AP)
Os moradores de Santana, a 17 km de Macapá, já se acostumaram com a cena numa das principais avenidas da cidade, a Cláudio Lúcio Monteiro: dezenas de grandes caminhões escoando minério de ferro. A rotina, que passou a fazer parte do dia a dia urbano, evidencia um gargalo logístico histórico no Amapá desde a paralisação da Estrada de Ferro.
Os veículos se concentram no portão de entrada da Companhia Docas de Santana (CDP), administrada pela prefeitura local. Cada caminhão transporta até 74 toneladas do produto. No último sábado (17), a demora foi maior que o normal por conta de um incidente dentro da área, cujos detalhes não foram divulgados.
Geralmente, cada caminhão aguarda apenas 10 minutos para acessar a área, descarregar no pátio e fazer o caminho de volta para a mina, que fica em Serra do Navio, a 220 km de Macapá.

Caminhões fazem longa fila para descarregar minério na CDP. Fotos: Seles Nafes
A extração de minério de ferro foi retomada há cerca de dois meses entre Pedra Branca e Serra do Navio após mediação e diálogo entre o governo do Estado e mineradoras.
O modal de escoamento por caminhões passou a ser o único no Amapá desde o desabamento do antigo Porto da Icomi, ocorrido durante gestão da Anglo American e da Zamin, em 2013.
O acidente interrompeu a extração de ferro e paralisou a Estrada de Ferro do Amapá, que segue inoperante até hoje, empurrando toda a logística do minério para as rodovias. O movimento dos caminhões de grande porte também é sentido na BR-210.

