Por SELES NAFES, de Macapá
A França seguirá os passos do Brasil e vai permitir a exploração de petróleo em alto-mar na Margem Equatorial, que começa na Venezuela e vai até o Rio Grande do Norte. Nesta quinta-feira (29), o Senado da França aprovou uma proposta para permitir a pesquisa de petróleo e gás nos territórios ultramarinos, incluindo a Guiana Francesa, revendo restrições que estavam vigentes desde 2017.
A votação teve ampla maioria a favor no Senado, e agora o projeto segue para a Assembleia Nacional, o equivalente à Câmara dos Deputados no Brasil, onde ainda pode ser alterado ou vetado.
“Seria fora do normal se toda a costa da Guiana, do Suriname, da Venezuela ao Brasil, estivesse repleta de petróleo, exceto a parte francesa”, disse Georges Patient, senador e representante da Guiana Francesa, em sua defesa pela mudança da lei.
A proibição vigente no território francês, estabelecida pela chamada “lei Hulot” de 2017, vetava novas licenças de exploração e produção de petróleo e gás, tanto em terra quanto no mar, como parte de compromissos climáticos da França.

Presidente da França em Caiena, no ano de 2025: Alain Jocard/AFP Photo
O debate político sobre a retomada da atividade petrolífera ganhou força no departamento ultramarino após avanços em processos de liberação no Brasil e descobertas de hidrocarbonetos em países vizinhos. Senadores que representam a Guiana Francesa defendem a revisão da legislação argumentando que a região poderia se beneficiar economicamente.
O presidente francês Emmanuel Macron declarou ser contrário à exploração de petróleo na região, ressaltando compromissos ambientais, mas representantes locais afirmam que a proibição atual prejudica o desenvolvimento econômico da Guiana Francesa.
