Por JONHWENE SILVA, de Santana
A trajetória de Leonam Madureira Corrêa, de 18 anos, é marcada por desafios, disciplina e sonhos persistentes. Acolhido desde a infância na Casa da Hospitalidade, no município de Santana, a 17 km de Macapá, o jovem com paralisia cerebral congênita (com comprometimentos motores e intelectuais) acaba de conquistar uma vaga no curso de Ciências Ambientais da Universidade Federal do Amapá (Unifap). Um sonho que parecia distante, mas que para ele nunca deixou de ser real.
Leonam chegou à Casa da Hospitalidade ainda criança, junto com os irmãos. Segundo a instituição, questões familiares relacionadas ao alcoolismo levaram ao acolhimento do grupo. Com o passar do tempo, os irmãos foram adotados, mas ele optou por permanecer na instituição, mesmo tendo tido oportunidade de adoção. Apesar dos conflitos familiares, mantém contato com a mãe e os irmãos.
“O Leonam é mais daqueles casos que servem de inspiração. Desde criança, mostrava o que queira. Estava presente em tudo aqui na instituição, brincava, corria e apesar das limitações não se privava de nada. Mas, era na hora dos estudos que surpreendia ainda mais. Era concentrado, focado e quando tinha dúvidas, perguntava”, relata Lene Pacheco, uma das coordenadoras da Casa da Hospitalidade.

Leonan fez o ensino médio em escola militar
Desde cedo, o jovem demonstrava interesse pelos estudos e participava ativamente das atividades oferecidas no contraturno escolar, incluindo grupo de dança e ações culturais. No 7º ano, manifestou o desejo de ingressar em uma escola militar, e a Escola Estadual de Ensino Militar Professor Afonso Arinos de Melo Franco, na Área Portuária, foi a escolhida. A princípio, a equipe pedagógica considerou o desafio complexo, mas Leonam persistiu e conseguiu.
“Foi uma rotina muito dura. Não foi fácil, eu estudava de manhã de tarde e de noite. Foram noites acordado. Eu me sinto muito feliz, porque muitas pessoas não acreditavam que eu podia conseguir”, relata Leonam.
Ensino médio
No ensino médio, a rotina era intensa. Acordava cedo para estudar pela manhã e dedicava as tardes à revisão de conteúdo. À noite, muitas vezes avançava pela madrugada. No segundo ano, fez o Enem como treineiro e, já no “Terceirão”, alcançou a pontuação necessária para ingressar no curso por meio do sistema de cotas para pessoas com deficiência. Apesar das dificuldades em matemática e física, contou com o apoio da professora voluntária Suelen Pereira, que o acompanhava semanalmente.

Ensino médio intenso
“A determinação, a concentração e a vontade de aprender chamavam atenção. Ele prova que nada é impossível. A vontade dele era uma coisa que sempre chamava a atenção. A ajuda da escola, dos colegas que sempre o incentivavam, foi fundamental. O papel neste ambiente escolar foi determinante para que ele alcançasse o seu objetivo. A gente está muito feliz, pois a realização dele passa a ser a nossa também”, afirma.
Leonam tinha como primeira opção o curso de Artes, área com a qual sempre se identificou. Hoje, Leonam celebra o início de uma nova etapa.

