Por RODRIGO ÍNDIO, de Macapá (AP)
A paixão pelo carnaval move histórias de dedicação, superação e amor à cultura popular. No Amapá, um nome tem chamado atenção pela entrega e versatilidade na avenida: Jonathan Quaresma Costa, de 39 anos, trabalhador de serviços gerais e acadêmico do curso de Pedagogia, que em 2026 alcançou o feito de desfilar em nove das dez escolas de samba do estado.
“Foi uma experiência única e inesquecível. Ver as pessoas nas arquibancadas sorrindo é algo que não tem explicação”, resume o folião.
Jonathan começou a desfilar no ano 2000, inicialmente em blocos carnavalescos. Pouco tempo depois, foi convidado a integrar alas coreografadas de escolas de samba. Com talento e dedicação, assumiu funções de destaque ao longo dos anos: foi coreógrafo e dançarino de comissão de frente, destaque em alegorias e personagem dentro de enredos.
Em 2025, ele já havia participado de sete agremiações. Mas, no ano seguinte, decidiu se desafiar ainda mais. Em 2026, esteve presente em nove das dez escolas de samba do Amapá, desfilando na Embaixada de Samba Cidade de Macapá, Emissários da Cegonha, Unidos do Buritizal, Maracatu da Favela, Boêmios do Laguinho, Solidariedade, Império da Zona Norte, Império do Povo e Piratas Estilizados.

Jonathan já trabalhou como coreografias, confeccção de fantasias e outras atividades na preparação de escolas

Fantasias de presente pelo reconhecimento
A única agremiação em que não desfilou foi a Piratas da Batucada, devido a questões pessoais com integrantes da diretoria. Ao todo, Jonathan passou 14 vezes pela avenida — cinco ensaios técnicos e nove desfiles oficiais. Para isso, precisou aprender todos os sambas-enredo das escolas em que participou.
“As pessoas reconheceram que o mesmo esforço que eu fazia para uma, eu fazia para todas. Eu queria cantar cada samba com verdade”, conta.
Reconhecimento pelo amor
O amor pelo carnaval vai além do desfile. Jonathan já trabalhou em barracões confeccionando fantasias e ajudando na ornamentação de alegorias. Em muitos casos, recebe as fantasias das próprias escolas como forma de reconhecimento. Em outros, ele mesmo produz as roupas para colaborar com as agremiações.
“Não importa o lugar: no carro alegórico, no chão, na ala ou na harmonia. Eu só quero estar lá contribuindo”, afirma.

Rede de amigos tem sido fundamental
Para dar conta da maratona, ele conta com uma rede de apoio fundamental: os amigos. São eles que ajudam na confecção das fantasias e organizam a logística durante os desfiles, guardando roupas em pontos estratégicos para que Jonathan consiga trocar de figurino e chegar a tempo em cada apresentação.
“Tenho acesso livre a todos os barracões. Nunca fui proibido de entrar. O carnaval é feito por muita gente interessante, com histórias de vida diferentes, que merecem ser valorizadas”.
Para 2027, a meta já está traçada: passar 20 vezes pela avenida, participar de todos os ensaios técnicos e desfilar nas dez escolas de samba do Amapá. O sonho maior, no entanto, vai além da fantasia: tornar-se carnavalesco de uma das agremiações.
“O carnaval para mim é um momento mágico. Ver meus amigos criando fantasias, coreografando comissões de frente, trabalhando na harmonia, na direção… Cada um entrega o melhor de si. E poder fazer parte disso me enche de orgulho”, conclui.
Mais do que números, Jonathan coleciona histórias, amizades e a certeza de que a avenida é, para ele, um lugar de pertencimento e realização.
