Por SELES NAFES, de Macapá
Desde a publicação, na terça-feira (24), de reportagem do Portal SelesNafes.Com sobre os golpes atribuídos ao falso advogado e falso jornalista Kyldelle Ryan Araújo dos Santos, de 24 anos, novos relatos de vítimas passaram a chegar ao site, provenientes de Macapá e até de Oiapoque. Há vários casos em tramitação na Justiça, e um deles teve a primeira audiência realizada ontem. O acusado, no entanto, não compareceu, sob a justificativa de que estaria internado.
Kyldelle Ryan coleciona quase 40 boletins de ocorrência, a maior parte por estelionato, e atua como repórter na página Notícias do Amapá. Ele também é acusado de se passar por advogado. Um dos processos envolve o próprio sogro de Ryan, o aposentado Aporcino da Costa Loureiro, de 74 anos.

De acordo com denúncia oferecida pelo Ministério Público do Amapá, o jovem teria se aproveitado da relação de confiança familiar para obter uma procuração pública e, com isso, movimentar a conta bancária do idoso sem autorização. A investigação aponta que valores da aposentadoria passaram a ser transferidos mensalmente para o acusado.
Além do desvio do benefício previdenciário, Ryan teria contratado de forma fraudulenta um empréstimo consignado em nome do idoso, no valor de R$ 5.824,08. O Ministério Público sustenta que o acusado induziu a vítima em erro ao se apresentar como assessor jurídico e alegar a existência de supostos problemas judiciais que precisariam ser resolvidos com urgência.
Filhas levam o pai ao banco
O inquérito também descreve que familiares chegaram a transferir R$ 3,5 mil ao investigado após ele afirmar que seria necessário pagar uma espécie de “fiança” para evitar uma suposta prisão civil do aposentado — informação que nunca foi comprovada. Ao perceberem as irregularidades e irem ao banco, a vítima e as filhas revogaram a procuração e procuraram a polícia. Segundo os autos, após isso, o acusado teria bloqueado os familiares em aplicativos de mensagens.
Com base nos fatos, o Ministério Público denunciou Ryan Kyldelle Araújo dos Santos por estelionato majorado, praticado contra pessoa idosa. A Promotoria também pediu a fixação de indenização mínima de R$ 10 mil por danos materiais e morais.

Ryan Kyldelle trabalha para página de notícias
Internação
Ontem, na audiência conduzida pela juíza Marina Lustosa, estavam apenas ela, um promotor de justiça e uma defensora pública. Não havia nem a vítima nem o acusado. Somente depois de a Defensoria Pública ter se manifestado é que entrou na sala virtual de audiência o advogado de Ryan Kyldelle, Luan Picanço, contratado em cima da hora.
Ele não tinha procuração assinada pelo cliente e ficou de juntar o documento com um atestado comprovando que o acusado está internado em uma unidade hospitalar. O advogado argumentou que não teve tempo de ler o processo e nem de formular perguntas. A magistrada deu a ele cinco dias de prazo para anexar os documentos devidos ao processo.
A defensora também informou que a vítima não foi ouvida no inquérito policial, em 2024, porque demonstrava confusão mental. A audiência foi transferida para o dia 13 de março.
