Grávida morre após ser baleada pelo companheiro de 17 anos

Jovem de 21 anos estava grávida de dois meses e morreu após dias internada no Hospital de Emergência
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Por RODRIGO ÍNDIO, de Macapá (AP)

O que era uma investigação de tentativa de feminicídio tornou-se um inquérito de crime consumado. Natália Cristina Alves de Sena, de 21 anos, teve sua morte confirmada, na última quarta-feira (4), após dias de internação no Hospital de Emergência (HE). Grávida de dois meses, a jovem não resistiu às lesões cerebrais causadas por disparos de arma de fogo.

O caso, ocorrido na manhã de 30 de janeiro no bairro KM 9, na zona oeste de Macapá, ganha contornos mais graves à medida que detalhes técnicos da equipe médica e da perícia vêm à tona, confrontando diretamente o depoimento do principal suspeito: um adolescente de 17 anos com quem a vítima se relacionava.

Laudos médicos apontam dois disparos, o que contraria a versão de acidente apresentada pelo adolescente suspeito

A versão do “acidente” vs. A evidência médica

Em depoimento à Polícia Civil, o menor infrator alegou que o disparo teria sido acidental e, em uma versão ainda mais controversa, provocado pela própria Natália. No entanto, o prontuário médico e os exames de imagem revelam uma realidade incompatível com essa narrativa.

A análise clínica identificou um orifício e dois projéteis alojados no corpo da jovem — um na região central da cabeça e outro na altura do pescoço.

Fontes do hospital indicam que a trajetória das balas e a localização do orifício de entrada sugerem que a vítima poderia estar de joelhos no momento em que foi atingida.

A existência de dois projéteis alojados praticamente anula a hipótese de “disparo acidental” único ou tentativa de suicídio, reforçando a tese de execução.

Caso agora é tratado como feminicídio consumado e segue sob investigação da Delegacia da Mulher

Relembre o caso

Natália foi buscada pelo adolescente na casa de sua mãe na noite de quinta-feira (29). Na manhã seguinte, o crime foi registrado. O socorro foi prestado por uma equipe da Polícia Rodoviária Federal (PRF) após pedidos de ajuda em via pública.

Desde a admissão no HE, o quadro era crítico. Natália chegou em parada cardiorrespiratória e, após ser reanimada, exames de imagem já apontavam o prognóstico de morte cefálica, que acabou se confirmando ontem.

Comportamentos suspeitos

Além das provas físicas, a conduta das pessoas próximas ao cenário do crime chamou a atenção das autoridades.

O adolescente chegou a prestar auxílio inicial, mas fugiu logo em seguida, sendo localizado horas depois pela Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (DEAM).

Um homem que se identificou como cunhado da vítima acompanhou a viatura da PRF, mas demonstrou extremo nervosismo e dificuldade em fornecer dados básicos de identificação de Natália, o que levantou suspeitas dos agentes.

Com a confirmação do óbito, o ato infracional análogo ao feminicídio passa a ser tratado como consumado. A delegada Marina Guimarães, da DEAM, aguarda os laudos periciais oficiais para concluir o inquérito.

O adolescente permanece à disposição da Justiça e poderá responder por medida socioeducativa equivalente ao homicídio qualificado.

Seles Nafes
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