Oiapoque (AP)
Pais de alunos foram às ruas esta semana em Oiapoque, a 590 km de Macapá, para cobrar o básico: transporte escolar, merenda e estrutura física para as escolas, uma realidade que contrasta com a folha salarial da prefeitura. O Portal SelesNafes.Com teve acesso à tabela de salários da PMO. Os valores não foram definidos este ano, mas ajudam a explicar porque a prefeitura está quebrada. Em alguns casos, os salários chegam a R$ 21 mil.
A manifestação realizada ontem reuniu pais, responsáveis e membros da comunidade escolar, que denunciaram a ausência de ônibus escolares, o funcionamento de escolas em prédios alugados — muitos deles com aluguéis atrasados — e até unidades sem sede própria. Em alguns casos, alunos simplesmente deixaram de frequentar as aulas por falta de transporte, segundo relatos feitos durante o ato.
O protesto ocorre em meio a uma crise mais ampla no município. Oiapoque enfrenta atrasos no pagamento de servidores, dificuldades na compra de merenda escolar e débitos acumulados com fornecedores. A própria prefeitura admite que não há previsão concreta para resolver os problemas, o que aumenta a sensação de abandono.
Em paralelo a esse cenário, a Tabela de Cargos e Salários de 2025, documento oficial da administração municipal, expõe vencimentos elevados quando comparados à precariedade dos serviços básicos. Há salários entre R$ 10 mil e R$ 17 mil e até superiores a R$ 21 mil em cargos da estrutura administrativa, incluindo funções de direção, assessoramento e chefia. Um agente administrativo chega a ganhar quase R$ 11 mil e um motorista chega a receber R$ 12 mil. VEJA AQUI A TABELA SALARIAL
Para os manifestantes, o problema não se resume aos valores individuais, mas à prioridade dos gastos públicos.

Quando vão começar as aulas? Nossos filhos começaram no meio do ano (em 2025) e não aprenderam quase nada
“Falta ônibus para levar criança à escola, falta comida, falta prédio, mas sobra dinheiro para pagar salários altos”, resumiu um dos pais presentes no ato, refletindo um sentimento recorrente entre os participantes da mobilização.
“Precisamos de transporte para nossos filhos menores de cinco anos porque tem mãe que não conseguem levar as crianças e depois precisa ir para o trabalho. Tempo tiveram para ajeitar e agora, em cima da hora, mandam uma nota (de esclarecimento) que a gente não entende nada. Estamos pedindo socorro. Ano passado nossos filhos começaram a estudar no meio do ano e não aprenderam quase nada”, disse outra mãe.
A situação de Oiapoque é resultado de um período conturbado na política nas últimas gestões. Os dois últimos prefeitos foram presos, investigados e o último, reeleito, foi cassado por compra de votos. Em abril, o município terá nova eleição para prefeito.
Além da péssima fase na administração da cidade, Oiapoque vive seu maior crescimento populacional da história, alimentado pela expectativa do petróleo, que ainda não foi encontrado pela Petrobras.
