Polêmica: Grupo de servidores quer remoção de gatos comunitários da Ueap

Debate no campus em Macapá envolve restaurante universitário, questões sanitárias e o destino de cerca de 12 animais
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Por RODRIGO ÍNDIO, de Macapá (AP)

Um grupo de servidores da Universidade do Estado do Amapá (Ueap) estaria se mobilizando para retirar cerca de 12 gatos comunitários que vivem há anos nas dependências da instituição, em Macapá. A possibilidade de remoção ganhou repercussão após o ativista da causa animal Victor Hugo Fernandes denunciar a situação nas redes sociais, classificando a medida como “grave” e “desumana”.

Segundo Victor, a justificativa apresentada seria a inauguração do Restaurante Universitário, com a alegação de risco sanitário e necessidade de evitar mau cheiro nas proximidades do refeitório. Para ele, no entanto, a solução não pode ser simplesmente “enxotar” os animais.

“Esses gatos não apareceram do nada. Foram abandonados ali. E desde então professores e membros da comunidade assumiram a responsabilidade, custeando castração, vacinação, vermifugação, tratamentos veterinários e alimentação adequada”, destacou.

Uma das professoras que cuida diretamente dos animais afirmou que ela e o professor Matheus, ambos do colegiado de Engenharia Florestal, já vinham dialogando com a gestão da universidade sobre a reorganização do espaço antes mesmo do período de férias.

Docentes relatam mais de uma década de cuidados e defendem alternativas no campus em Macapá. Foto: Rodrigo Índio/Arquivo SelesNafes.com

Segundo ela, houve acordo para transferir os gatos para outro local dentro da instituição, mas a mudança ainda não foi efetivada.

A docente relatou que atua no cuidado dos animais há 11 anos, desde que ingressou na universidade. Nesse período, afirma ter custeado do próprio bolso a castração de mais de 12 gatos, incluindo despesas com medicamentos e internações.

Parte dos animais já foi adotada, e a maioria dos que permanece no campus é castrada e recebe acompanhamento veterinário regular, inclusive com apoio do médico veterinário Fernando, que presta assistência voluntária em casos de emergência e consultas de rotina.

Ainda de acordo com a professora, a presença dos gatos também exigiu ações de conscientização junto à comunidade acadêmica. Ela relata que, no ano passado, uma estudante teria abandonado um filhote no campus, o que levou à divulgação de comunicados reforçando a proibição de soltura de animais no local.

Parte dos animais já foi adotada, enquanto outros seguem sob cuidados e acompanhamento no campus em Macapá. Foto: Rodrigo Índio/Arquivo SelesNafes.com

Uma câmera de monitoramento também foi instalada, com consentimento da gestão, para coibir novos abandonos e reforçar a segurança dos laboratórios próximos.

Para os defensores dos animais, a retirada representa risco à vida dos gatos, especialmente dos mais idosos, que dificilmente se adaptariam a outro ambiente.

“Não há espaço para abrigar todos, alguns são idosos. Não têm condições de ir para a rua. Porém, podem ser adotados”, argumenta Victor Hugo Fernandes.

Ele defende que a universidade, como instituição pública e espaço de formação ética e social, busque alternativas de manejo responsável, sem expulsão dos animais.

Até o momento, a gestão da Ueap não se manifestou oficialmente sobre a decisão final. Enquanto isso, professores, estudantes e ativistas pedem diálogo e soluções que conciliem o funcionamento do restaurante universitário com a permanência segura dos gatos que, segundo eles, já fazem parte da história do campus.

Seles Nafes
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