Praça do Barão vira ‘cemitério de carcaças’; obra deveria estar pronta em dezembro de 2025

Atrasos, embargos e divergência de valores mantêm espaço cercado e sem avanço visível
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Por RODRIGO ÍNDIO, de Macapá (AP)

A Praça Barão do Rio Branco, um dos pontos mais tradicionais do Centro de Macapá, vive hoje um cenário de abandono. Com uma área de 13 mil metros quadrados, o espaço deveria ter sido entregue à população no início de dezembro de 2025, mas a obra patina na lentidão, paralisação e atrasos.

No entanto, quem passa pelo local atualmente não encontra sequer uma viga erguida. O que se vê é um “cemitério” de entulhos, onde bancas de revistas e carcaças de lanchonetes retiradas de outras praças da cidade foram amontoadas em meio ao mato alto.

A situação ganhou as redes sociais, especialmente após vídeos gravados por populares denunciarem a ausência total de operários no canteiro de obras nas últimas semanas. Nesta segunda-feira (2), a reportagem do SelesNafes.Com visitou o local e constatou uma movimentação tímida: embora houvesse trabalhadores na área, o ritmo de produção era praticamente inexistente, com muitos funcionários apenas sentados, evidenciando a falta de cronograma efetivo para a execução dos serviços.

Entulhos no centro histórico de Macapá. Fotos: Rodrigo Índio/SelesNafes.Com

Iphan afirma que obra começou sem estudos…

Embargo e retomada

Em junho de 2025, quando o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) notificou a prefeitura e determinou a paralisação de qualquer revolvimento de solo.

A medida atendeu a uma denúncia do grupo “Memória Negra e Reparação Histórica no Amapá”, que alertou para o risco de destruição de patrimônio arqueológico afro-indígena no centro histórico. O Iphan acusou a prefeitura de iniciar as intervenções sem os estudos prévios e o licenciamento exigido por lei. Recentemente, um novo capítulo foi escrito com a manifestação do Iphan agora em fevereiro de 2026.

O órgão informou que, após a aprovação dos relatórios de impacto arqueológico, foi emitida uma portaria no Diário Oficial da União no dia 30 de janeiro autorizando a retomada dos trabalhos.

Obra deveria estar pronta em dezembro de 2025

Bancas de revistas…

…e restos de lanchonetes

Contudo, a prefeitura deve manter uma equipe de arqueologia contratada para acompanhar integralmente as etapas que envolvam o solo, condição essencial para que a obra avance sem novos embargos. Além do atraso físico e do imbróglio arqueológico, há uma nuvem de incerteza sobre o financiamento do projeto.

Em abril do ano passado, a prefeitura anunciou que o investimento seria de mais de R$ 4,6 milhões, provenientes de emenda parlamentar e recursos municipais. No entanto, a placa afixada no local apresenta o valor de R$ 4,25 milhões, uma divergência de mais de R$ 380 mil que ainda não foi oficialmente esclarecida pela administração pública.

Obra não tem data para ser entregue

 

Enquanto os recursos e os prazos não se ajustam, o projeto de transformar a Barão do Rio Branco em um complexo multifuncional — com quadras esportivas, campo sintético e áreas de lazer — permanece apenas no papel. 

Por enquanto, a praça que deveria ser um símbolo de desenvolvimento e turismo é, no momento, apenas um espaço cercado que acumula mato, entulho e o descaso com o patrimônio histórico de Macapá.

Seles Nafes
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