Por SELES NAFES, de Macapá (AP)
Mães de alunos e ex-alunos da Creche Municipal Eliana Azevedo, localizada no residencial Macapaba, na zona norte de Macapá, saíram em defesa da professora Kátia Machado Marinho, filmada agredindo uma criança de aproximadamente dois anos. A educadora também se posicionou sobre o caso.
Segundo Kátia, ela sempre buscou dar transparência às suas abordagens pedagógicas, autorizando estagiárias da creche a filmarem as aulas para compartilhar os registros em grupos de pais. O objetivo era tranquilizá-los quanto à segurança e à qualidade do ensino.
A professora negou que tenha agredido uma criança dentro do banheiro e atribuiu a acusação a uma suposta perseguição sistemática por parte da ex-coordenadora da creche, que, segundo ela, teria sido denunciada por irregularidades.
Em depoimento ao Portal SelesNafes.Com, Kátia também afirmou que sempre procurou não estimular atitudes violentas entre as crianças e disse não compreender o vídeo divulgado, que, segundo ela, “pareceu montagem”.
“Essa criança não era aluna da escola. Ela era ‘ouvinte’. A secretária escolar queria que eu matriculasse, mas eu disse que não ia tirar vaga de ninguém. Por trás (do vídeo) tem um áudio, tipo uma montagem. Não dá pra entender. Eu construía com as crianças que ninguém poderia bater, gritar ou empurrar. A mãe dessa criança queria me dar ela”, revelou.

Momento em que professora dá tapa em mão de criança: “tipo montagem”
Após a repercussão da reportagem, Kátia foi colocada à disposição da Secretaria Municipal de Educação, por determinação do secretário e do prefeito Antônio Furlan (MDB).
Elogios e apoio
Pelo menos oito mães enviaram áudios elogiando o trabalho da professora, a quem consideram uma profissional de extrema confiança e dedicação ao aprendizado dos alunos.
“Minha filha é apaixonada pela professora, e é a única professora dessa creche que ama a profissão e trabalha com amor. O nós pais mais temos é vídeos do trabalho dela, não esse recorte maldoso que lhe foi enviado. Esse vídeo é de anos atrás e a criança do vídeo é sobrinha dela que estava só assistindo a aula nem aluna da creche era”, disse uma mãe.
“É perseguição por parte da coordenação contra a professora. Ano passado no meio do ano tiraram ela da turma da minha filha só por que nós mães fomos na secretaria reivindicar para ela continuar na turma. Proibiram ela de filmar as aulas (sim todas as aulas dela são gravadas e mandadas no grupo da turma pra acompanharmos tudo. E ano passado proibiram isso, fizeram ela fechar o grupo, porque tudo que ela vê de errado ela denuncia”, acrescentou.

Creche onde a professora Kátia atuou por cerca de dois anos. Fotos: Allan Valente/Arquivo SelesNafes.Com
Uma ex-colega de trabalho, que se identificou como Armanda Anthonely, também saiu em defesa da professora.
“Trabalhei com ela em torno de dois anos. Sempre estão tentando acusar ela de algum problema. Por eu estar trabalhando com ela me perseguiam. Cheguei a levar falta porque não me viram. Sei o quanto ela é responsável e dedicada”.
A mãe de uma aluna autista afirmou que a menina evoluiu significativamente graças ao trabalho desenvolvido pela professora Kátia.
“O que está acontecendo é uma injustiça. É uma profissional excelente, que se dá aos alunos. Ela trabalha com amor. Nós sempre procuramos saber se as nossas crianças são bem tratadas dentro da creche. Minha filha não sabia falar, andar, interagir. Minha filha conseguiu aprender muita coisa com a professora Kátia”, garantiu.
Outra mãe considera que o vídeo divulgado teve caráter “maldoso” e seria fruto de perseguição contra a educadora.
“Esse vídeo pode ser verdadeiro, mas esse não é o tipo de abordagem que a professora faz. Minha filha é louca por ela e chora para não vir da escola. Ela quer ir até para a casa da professora”, salientou.
Houve também mães que defenderam a aplicação de “corretivo”.
“É uma acusação muito grave que estão fazendo. É uma ótima professora. Meu filho entrou lá com um ano e não sabia nada. Ela ensinou tudo. Muitas pessoas lá na creche não gostam da professora Kátia. Ela pode, sim, dar um tapinha na mão da criança que é sobrinha dela. Eu bato nos meus sobrinhos, por que ela não pode? As pessoas fazem isso (filmar) de maldade. Ela faz isso (bater) para as outras crianças aprenderem”.
Outra mãe afirmou que a atitude da professora estaria relacionada à preservação de materiais didáticos adquiridos pelos próprios pais.
“Ela jamais vai deixar alguém esbandalhar um material que nós pais compramos para a escola. Eu não tenho o que reclamar da professora. Meu filho é autista e não sabia uma letra. Não chamava mãe e nem pai. Quando começou a estudar com a professora ele passou a aprender muitas coisas e me chamou de mãe pela primeira vez”, afirmou.

