Por RODRIGO ÍNDIO, de Macapá (AP)
O clima de tensão na Associação Recreativa Império de Samba Solidariedade ganhou um novo capítulo. Após as manifestações de moradores do bairro Jesus de Nazaré pedindo “Diretas Já”, o presidente da agremiação, Jair Sampaio, quebrou o silêncio. Em entrevista ao Portal SN, o dirigente rechaçou a possibilidade de eleições abertas à comunidade, alegando impedimentos jurídicos e estatutários.
Questionado sobre as críticas de que sua presidência não teria validade, Sampaio relembrou sua trajetória na escola, iniciada em 9 de outubro de 2008 como assessor jurídico. Depois, foi membro da comissão eleitoral, carnavalesco, membro do conselho deliberativo, membro do conselho superior e presidente do conselho superior. Ele assumiu o comando em 2012, após a renúncia da então presidente Lizete Jardim e de seu vice, conforme rito previsto no estatuto para o cargo que ocupava na época (presidente do Conselho Superior).
“Não foi uma coisa que caiu de paraquedas, eu construí uma história com a Solidariedade. Minha eleição foi referendada pelo Conselho, possui registro em cartório e já foi objeto de análise judicial transitada em julgado. Não cabe mais recurso”, afirmou o presidente.

Carta de renúncia da presidente anterior e o regulamento da escola. Fotos: Rodrigo Índio/SN
Um dos pontos altos da defesa de Sampaio foi a recuperação da sede da escola. Segundo ele, o terreno e o prédio foram alvo de um litígio judicial perdido pela gestão anterior, e sua equipe jurídica conseguiu reverter a situação.
Sobre a denúncia de que a sede estaria sendo usada como depósito de banheiros químicos e estaria fechada para a comunidade, o presidente disse que existe parceria com uma empresa privada que visa a manutenção do espaço e o apoio logístico (como fornecimento de água e alimentação), sem contrapartida financeira prejudicial à escola.
Sampaio afirma que a sede está aberta a quem quiser trabalhar, mas ressaltou:
“Aqui é uma instituição privada, tem normas. Não é a ‘casa da mãe Joana’”.

Jair diz que regulamento não permite voto da comunidade na eleição
Ausência da comunidade
O dirigente lamentou que, em mutirões de limpeza e capina, a comunidade que hoje protesta não teria comparecido para ajudar. Sobre a possível presidência vitalícia, Jair negou essa possibilidade, mas não detalhou até quando segue sua gestão nem quando ocorrerá a próxima eleição.
Sobre o resultado negativo no desfile deste ano, que culminou na desclassificação da escola, Sampaio apresentou uma versão de sabotagem interna. Segundo ele, grupos interessados em assumir a presidência teriam se “infiltrado” em setores estratégicos, como a harmonia. O presidente disse que chegou a doar fantasias de cinco alas para a comunidade.
“Houveram pessoas que trabalharam para que ocorresse a desclassificação. Disponibilizei recursos e transporte, mas houve retenção de fantasias e materiais para inflamar a situação contra a gestão”, acusou.
Para os manifestantes que pedem o voto direto de todos os moradores do bairro, o presidente foi categórico: não existe possibilidade jurídica. De acordo com o estatuto vigente — o mesmo que o movimento contesta —, a escolha do presidente cabe exclusivamente ao Conselho Superior, composto por 37 membros. Para ser conselheiro, a pessoa precisa ter a aprovação de três quintos desses membros que já integram o colegiado. O presidente não disponibilizou os nomes dos integrantes do conselho.
“Antigamente qualquer morador votava, mas não é assim mais. O modelo atual é o que rege a instituição de forma legal”, explicou.
Apesar do tom firme, Jair Sampaio afirmou estar aberto ao diálogo com quem deseja “somar e não criar confusão”. Ele informou que ainda reunirá o Conselho Deliberativo para tratar da data do próximo pleito, mas reiterou que não cederá a agressões ou ataques a sua imagem.

