800 trabalhadores do HU aderem à greve nacional por reajuste e direitos sociais

Paralisação atinge 70% dos serviços; categoria denuncia perdas salariais e falta de implementação de cláusulas sociais
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Por SELES NAFES, de Macapá (AP)

Mais de 800 funcionários do Hospital Universitário do Amapá (HU-Unifap) aderiram à greve nacional dos trabalhadores da EBSERH nesta segunda-feira (30). A paralisação ocorre simultaneamente nos 42 hospitais universitários do país administrados pela empresa pública, que mantém vínculos trabalhistas sob o regime da CLT. A categoria reivindica reajuste salarial e a implementação de direitos sociais prometidos, mas ainda não efetivados.

Logo nas primeiras horas do dia, cerca de 70% dos profissionais da maioria dos setores cruzaram os braços no hospital em Macapá. Em serviços essenciais, a legislação exige a manutenção mínima de 30% do efetivo em atividade. Na UTI, devido à complexidade dos atendimentos, 70% dos trabalhadores seguem atuando. Já em setores administrativos, a adesão à greve pode chegar a 100%. Os trabalhadores afirmam que acumulam perdas salariais superiores a 25% nos últimos anos e cobram um reajuste imediato equivalente ao IPCA, hoje em 4,26%. Além disso, pedem o pagamento do piso para níveis superior, médio e técnico, aumento do auxílio-alimentação e da cesta básica, além da implementação de 33 cláusulas sociais.

Essas cláusulas incluem programas voltados à proteção dos trabalhadores, como medidas de combate ao assédio e apoio a mulheres vítimas de violência doméstica, além de ações voltadas à população LGBTQIA+. Segundo a presidente do Sindicato dos Servidores do HU, Luana Áquila, a empresa inicialmente aceitou avaliar apenas cinco dessas propostas.

Luana Áquila, presidente do sindicato: reinvidicações sem respostas

“Uma das propostas era que a mulher vítima de violência doméstica que apresentar todas as comprovações poderá optar em mudar de cidade. Nesse caso, nossa proposta foi que a empresa desse suporte pagando um aluguel por seis meses, mas ela concordou em pagar apenas 15 dias. Agora soubemos que a empresa alterou e concordou com os seis meses”, acrescentou.

Apesar desse avanço pontual, a categoria critica a demora nas negociações e afirma que não há diálogo efetivo com a direção nacional da empresa.

“Não está tendo diálogo. A empresa já tinha as nossas reivindicações desde o início de fevereiro, já era pra ter apresentado uma proposta. Disse que seria no início de março e nada. Tivemos duas mediações durante março com participação do Ministério Público e a empresa se comprometeu em dar uma resposta, pediu mais um tempo para apresentar as propostas financeiras que seria no dia 27, mas isso não aconteceu”, pontuou.

Outro ponto de preocupação é o calendário eleitoral. Pela legislação, reajustes acima da inflação ficam proibidos nos 180 dias que antecedem o pleito, o que pode inviabilizar parte das negociações. Os trabalhadores também temem que um eventual acordo só comece a produzir efeitos no próximo ano, quando parte das perdas já terá se agravado ainda mais.

Seles Nafes
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