Por SELES NAFES, de Macapá (AP)
Moradores de condomínios de classe média construídos pela Prefeitura de Macapá vêm enfrentando uma série de problemas estruturais poucos meses após a entrega dos imóveis. No residencial Florência, localizado no bairro da Fazendinha, os relatos incluem alagamentos dentro dos apartamentos, falhas na drenagem, acabamento de baixa qualidade e infiltrações que já provocaram prejuízos materiais aos moradores.
O problema mais grave ocorre nos apartamentos do térreo. Sempre que chove forte, o sistema de drenagem não consegue escoar a água, que acaba invadindo os imóveis. Segundo os moradores, todos os 23 apartamentos desse nível já foram atingidos. Em vários casos, a água da chuva se mistura com o esgoto e entra nas residências, causando perdas de eletrodomésticos, móveis planejados e outros bens. Mesmo diante da situação, as famílias terão de continuar pagando as prestações dos imóveis pelos próximos 30 anos.
O condomínio Florência foi construído pela prefeitura durante a gestão do ex-prefeito Antônio Furlan (PSD), que renunciou ao mandato no último dia 5 de março após ser afastado pela Polícia Federal no âmbito de investigações sobre supostos desvios nas obras do Hospital Municipal de Macapá. Os recursos utilizados no residencial são do Programa Minha Casa, Minha Vida 2, modalidade destinada a famílias com maior poder aquisitivo.

Tampas de esgoto boiam na água da chuva na noite desta segunda (16)

Protesto de morador: parquinho alagado com água contaminada pelo esgoto
O empreendimento possui 140 apartamentos de 60 metros quadrados, cada um com dois quartos. A prestação média é de cerca de R$ 900 por mês. Entre R$ 25 mil e R$ 30 mil de cada unidade foram subsidiados por emendas do deputado federal Acácio Favacho (MDB) e do senador Randolfe Rodrigues (PT). Ao final do financiamento, cada apartamento deverá custar aproximadamente R$ 300 mil.
Inauguração para as redes sociais
O residencial foi entregue em setembro de 2025 durante uma cerimônia restrita. Segundo moradores, o condomínio ainda não estava totalmente concluído na época, e a entrega teria sido realizada para produção de conteúdo institucional para as redes sociais do então prefeito.
Cinco meses depois, os problemas se multiplicaram em todos os andares.
“Na minha sala existem três tons diferentes de branco no piso. O ralo do banheiro escorre a água para o lado contrário e já danificou a porta de madeira. A minha janela está fora do esquadro e quando chove molha a sala. Para sair de casa tem uma poça de água na porta. Sou uma das pessoas que menos têm problemas. Teve morador que precisou trocar o piso todo”, relatou uma moradora.
Na área externa, a empresa responsável pela obra tem tentado amenizar os alagamentos com ajustes no sistema de drenagem. Para isso, parte das calçadas precisou ser quebrada recentemente.condominiocondominio
Mesmo assim, os moradores afirmam que não têm recebido assistência adequada da construtora nem da prefeitura. Segundo eles, contatos por e-mail não são respondidos e não há previsão concreta de solução para os problemas.
“Os problemas pessoais eles não têm respondido e-mail e nunca marcam um retorno de fato. Estamos nos organizando para fazer uma denúncia coletiva no Ministério Público e na própria Caixa Econômica que avalizou a construção. Todos os meses a gente paga o boleto e estamos sem esse retorno”, desabafou um dos moradores.
O Florência não é um caso isolado. O Portal SN recebeu relatos de falhas semelhantes em pelo menos outros três residenciais de classe média construídos pela Prefeitura de Macapá também na região da Fazendinha. As famílias temem que os problemas estruturais se agravem com o tempo, enquanto continuam arcando com os custos do financiamento dos imóveis.
