Por RODRIGO ÍNDIO, de Macapá (AP)
Dados divulgados nesta quarta-feira (25) pela 5ª edição da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE 2024) revelam um cenário alarmante para adolescentes brasileiros, com destaque preocupante para o Amapá, que aparece entre os estados com maior incidência de violência sexual contra jovens de 13 a 17 anos.
O levantamento, realizado pelo IBGE em parceria com os ministérios da Saúde e da Educação, mostra que 13,5% dos estudantes amapaenses já foram vítimas de violência sexual, colocando o estado entre os três com maiores índices do país, atrás apenas do Amazonas (14,0%) e à frente do Tocantins (13,0%). A região Norte, como um todo, concentra a maior prevalência nacional, com média de 11,7%.
A pesquisa também evidencia a vulnerabilidade das meninas. Em nível nacional, 26% das adolescentes relataram já ter sofrido algum tipo de assédio sexual — mais que o dobro dos meninos (10,9%). No total, 18,5% dos estudantes afirmaram já terem sido tocados, beijados ou expostos contra a própria vontade ao menos uma vez na vida.
Outro dado que chama atenção é o aumento desses casos em relação à última edição, realizada em 2019. Houve crescimento de 3,8 pontos percentuais no número de estudantes que sofreram assédio sexual, sendo mais acentuado entre meninas (alta de 5,9 pontos) e alunos da rede pública (4,2 pontos).

Violência precoce: segundo estudo, vítimas disseram que o primeiro episódio ocorreu antes dos 13 anos de idade
A violência sexual mais grave também apresentou dados de alerta. Em 2024, 8,8% dos adolescentes relataram terem sido obrigados a manter relações sexuais contra a própria vontade — um aumento de 2,5 pontos percentuais em relação a 2019. Entre meninas, esse percentual sobe para 11,7%.
Os dados revelam ainda que a violência frequentemente ocorre dentro do ambiente de convivência dos jovens. Em muitos casos, os agressores são pessoas próximas: outros familiares (26,6%) lideram as ocorrências, seguidos por desconhecidos (23,2%) e namorados ou parceiros (22,6%).
Um dos aspectos mais graves destacados pela pesquisa é a idade precoce das vítimas. Entre os 1,1 milhão de adolescentes que relataram terem sido forçados a relações sexuais, 66,2% disseram que o primeiro episódio ocorreu antes dos 13 anos de idade.
Além da violência sexual, o estudo também aponta para o aumento de situações de bullying e outras formas de violência no ambiente escolar, reforçando a necessidade de políticas públicas mais eficazes de proteção à infância e adolescência.
