Cantor da banda ‘Bruno e Trio’ é condenado por abuso sexual das próprias filhas

Tribunal de Justiça do Pará mantém sentença superior a 30 anos de prisão e rejeita recursos da defesa; filhas denunciaram depois de adultas
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Por PEDRO PESSOA, de Belém (PA)

O Tribunal de Justiça do Pará manteve a condenação do cantor Bruno Mafra, da banda melody ‘Bruno e Trio’, por crimes de abuso sexual cometidos contra as próprias filhas durante a infância das vítimas, em Belém. A decisão foi tomada em segunda instância e confirmou integralmente a sentença anterior, que já havia fixado pena superior a 30 anos de prisão em regime fechado.

De acordo com o processo, os abusos aconteceram entre 2007 e 2011, quando as vítimas tinham menos de 14 anos. Foi também neste período que a banda fez sucesso em Macapá, emplacando músicas nas emissoras de rádio e em shows. Os relatos indicam que os crimes foram praticados de forma repetida e em diferentes ambientes, como dentro da residência da família e até em um veículo. Segundo a acusação, as situações ocorriam em momentos que favoreciam o isolamento das vítimas, o que dificultava qualquer tipo de denúncia na época.

Denúncias vieram anos depois

O caso só veio à tona em 2019, quando as irmãs, já adultas, decidiram procurar as autoridades e relatar os abusos sofridos na infânciaOs depoimentos apontam que os crimes aconteceram em um contexto de relação de confiança e autoridade paterna, além de envolverem manipulação psicológica e pedidos de silêncio.

Condenação foi mantida

Na primeira instância, a Justiça considerou que havia provas suficientes de autoria e materialidade, com destaque para os depoimentos das vítimas, avaliados como consistentes e detalhados.

A defesa do cantor recorreu da decisão, alegando irregularidades no processo e falta de provas. No entanto, o Tribunal de Justiça rejeitou todos os argumentos apresentados. Os desembargadores entenderam que não houve falhas capazes de anular o processo e reforçaram que, em crimes dessa natureza, os relatos das vítimas têm peso relevante, especialmente quando apresentam coerência e são confirmados por outros elementos do caso.

Advogados de Bruno Mafra alegaram que condenação não é definitiva

Defesa contesta decisão

Em nota, o escritório Filipe Silveira | Advocacia, responsável pela defesa, informou que o processo ainda está em andamento e que não há decisão definitiva. A defesa afirmou que pretende adotar novas medidas recursais e sustenta que houve violações ao devido processo legal, o que poderia comprometer a validade dos atos processuais e da decisão.

Os advogados também manifestaram preocupação com a divulgação de informações sobre um processo que tramita sob sigilo, destacando a necessidade de respeito às restrições legais para preservar os direitos das partes envolvidas.

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