Por SELES NAFES, de Macapá (AP)
Subiu para seis o número de casos confirmados de doença de Chagas em Macapá, todos associados ao consumo de açaí contaminado por barbeiros. Até a manhã de ontem (24), a Superintendência de Vigilância em Saúde (SVS) havia confirmado somente três casos e investigava outras oito ocorrências suspeitas. No fim do dia, o Laboratório Central (Lacen) confirmou mais três amostras positivas.
Uma mulher de 47 anos morreu no Hospital de Emergência de Macapá em decorrência de complicações da doença. Outros três pacientes seguem internados e recebem acompanhamento médico. Os registros foram feitos nos bairros Jardim Marco Zero, Zerão, Buritizal e Universidade.
No Jardim Marco Zero, a SVS interditou uma amassadeira apontada por moradores como o possível “epicentro” dos contágios. A medida faz parte de um plano de contingência ativado pelo órgão, que inclui bloqueio imediato dos focos, investigação epidemiológica e assistência aos pacientes.
Uma Sala de Situação foi instalada para monitoramento e cruzamento de dados, além da intensificação da fiscalização em batedeiras e orientação aos empreendedores do setor. A SVS também acompanha atendimentos em hospitais e Unidades Básicas de Saúde (UBSs) para mapear com maior precisão a extensão do surto.

Três pacientes continuam internados no HE com sintomas graves da doença Foto: Iago Fonseca
Insetos triturados
De acordo com a superintendente da SVS, Cláudia Pimentel, o contágio está relacionado à falta de higienização adequada dos caroços de açaí, incluindo a ausência de tratamento térmico. Segundo ela, muitas amassadeiras ignoram os protocolos sanitários e mantêm os equipamentos de tratamento encaixotados.
Com isso, o inseto transmissor da doença, conhecido como barbeiro, pode ser triturado junto com o fruto. As fezes do inseto acabam sendo ingeridas, provocando uma forma aguda da doença, capaz de causar lesões graves no fígado e no coração em poucas horas.
“Estamos atuando de forma rápida e integrada para identificar a origem dos casos, interromper a cadeia de transmissão e garantir o atendimento adequado aos pacientes. A população também tem papel fundamental nesse processo, ao buscar estabelecimentos que sigam as normas sanitárias e ao procurar atendimento diante de sintomas suspeitos”, destacou a superintendente.
A SVS segue com ações de fiscalização e tem interditado amassadeiras flagradas sem o tratamento adequado do fruto, numa tentativa de conter o avanço da doença na capital.

