Por RODRIGO ÍNDIO, de Macapá (AP)
A prisão de Cláudio Pacheco, o “Coringa”, de 42 anos, horas após o assassinato da jovem vendedora Ana Paula Viana Rodrigues, de 19 anos, revelou um histórico sombrio que assombra o município de Santana. Para a Polícia Civil, Cláudio não é apenas um assaltante que “se excedeu”, ele é um criminoso reincidente cujo alvo preferencial, em ataques de extrema violência, são mulheres jovens e trabalhadoras.
O crime ocorrido na tarde de segunda-feira (9), no Centro da cidade santanense, guarda semelhanças perturbadoras com o passado de Cláudio. Em 2018, ele tirou a vida de Camila de Oliveira Freitas, de 24 anos. Assim como Ana Paula, Camila era uma jovem batalhadora — vendia churrasquinho na Praça da Fonte Nova para garantir o sustento.

Em 2018, o mesmo homem assassinou Camila de Oliveira Freitas, de 24 anos, que vendia churrasquinho na Praça da Fonte Nova para garantir o sustento. Foto: Olho de Boto/SelesNafes.com
Nos dois casos, o “modus operandi” revela uma brutalidade desproporcional. Enquanto Camila foi esfaqueada repetidamente no pescoço e abandonada em uma área de mata, Ana Paula foi morta por esganamento após lutar pela vida em um pequeno depósito nos fundos da loja onde trabalhava.
O valor de uma vida: “Seis Pedras de Crack”
Embora a investigação inicial trate o caso de Ana Paula como latrocínio, a frieza do depoimento de Cláudio chocou os investigadores. Ele confessou ter matado a jovem após uma luta corporal para subtrair o celular dela. O destino do aparelho? Uma “boca de fumo” na área portuária para manter o vício.
“Ele matou para poder roubar. Ele subtraiu o aparelho da vítima, entregou numa boca de fumo e recebeu por esse aparelho seis pedras de crack”, afirmou o delegado Anderson Ramos, titular da 1ª DP de Santana.

Condenado por homicídio, Cláudio Pacheco estava foragido após não retornar da saída temporária do sistema penitenciário e agora volta a ser investigado por outro crime brutal.
Cláudio Pacheco é um foragido do sistema penitenciário. Condenado pelo homicídio de Camila em 2018 (pelo qual só foi preso em 2022), ele recebeu o benefício da saída temporária em outubro de 2025 e jamais retornou ao Instituto de Administração Penitenciária do Amapá (Iapen).
Livre indevidamente, ele circulava por Santana com uma bicicleta e um chapéu — acessórios que ajudaram a polícia a identificá-lo através das câmeras de monitoramento da loja “Tai Boutique”.

Ana Paula Viana Rodrigues, de 19 anos, foi morta após reagir a um assalto no local onde trabalhava, no Centro de Santana
A Polícia Civil agora aprofunda a análise do perfil de Cláudio. O objetivo é entender se a motivação foi estritamente patrimonial ou se existe um componente de ódio ou prazer na escolha de vítimas femininas, dado que, em ambos os homicídios confirmados, as vítimas eram mulheres jovens mortas com requintes de crueldade em momentos de vulnerabilidade.
Cláudio Pacheco foi autuado em flagrante e permanece à disposição da Justiça, devendo retornar ao regime fechado para cumprir as penas anteriores e responder pelo novo crime que interrompeu os sonhos de uma jovem de apenas 19 anos.
