Por SELES NAFES, de Macapá (AP)
O prefeito em exercício de Macapá, Pedro Dalua (União), anunciou nesta terça-feira (10) a criação de um gabinete de emergência para administrar a capital. Em coletiva de imprensa para anunciar a medida e apresentar o secretariado, ele disse que a gestão Furlan (PSD) estava com tudo pronto para pagar mais R$ 6 milhões à Santa Engenharia, construtora do Hospital Geral Municipal que é investigada pela Polícia Federal. O pagamento, segundo ele, estava programado para o dia 4, exatamente quando ocorreu a 2ª fase da Operação Paroxismo, que afastou o prefeito do cargo.
O gabinete de emergência administrativa e financeira foi aprovado pela Câmara Municipal e terá o objetivo de garantir a continuidade dos serviços públicos essenciais durante o prazo mínimo de 60 dias, com possibilidade de prorrogação caso a situação de crise persista. Representantes de órgãos de controle e fiscalização também deverão ser convidados a participar.
O prefeito Dalua disse que a equipe do ex-prefeito Furlan (PSD) criou dificuldades para a nova gestão ao não repassar senhas bancárias e informações sobre obras em andamento.
“Como não temos as senhas, não sabemos dizer o quanto temos em conta. Acredito que tem dinheiro, sempre teve. O que não tinha no governo Furlan era prioridade”, criticou.

Pedro Dalua com secretários: gabinete de emergência funcionará por 60 dias, mas pode ser prorrogado. Fotos: Seles Nafes
Dalua revelou ter descoberto que a operação da Polícia Federal impediu que a Santa Rita Engenharia recebesse mais uma parcela da obra. De acordo com as investigações, dinheiro desviado da construção do hospital teria sido direcionado para empresas ligadas a Furlan e à esposa, a primeira-dama e pré-candidata ao Senado, Rayssa Furlan.
“No dia 3 deixaram tudo preparado pra no dia 4 pagar quase R$ 6 milhões num dia só. Como eles foram afastados, ficaram impossibilitados de disparar esse pagamento. Se tivesse ocorrido, eles pagariam R$ 12 milhões entre a 1ª e a 2ª fases da operação contra a empresa investigada”, informou.
“Com esse dinheiro ele poderia pagar a alimentação da saúde, vigilância, o lixo hospitalar, medicamentos e correlatos. Porque ele não fez? Qual era a prioridade do ex-prefeito Furlan?”, questionou.

R$ 600 mil para influenciadores e blogs
“Gabinete do ódio”
Ainda de acordo com o prefeito, a gestão anterior ainda conseguiu efetuar, no dia 4, um pagamento de quase R$ 600 mil, por meio de uma agência de publicidade, para blogs e influenciadores digitais que, segundo ele, teriam sido contratados para divulgar informações falsas contra opositores.
Dalua afirmou que tem sido alvo de conteúdos desse tipo, citando publicações que apontam paralisação de obras na cidade.
“(Afirmam que) depois de 4 dias de gestão todas as obras estão paradas. Eles (influenciadores e blogs) estão financiados por quem? Quanto e quem recebeu vamos entregar pra imprensa. Esses R$ 600 mil dariam para pagar os artistas locais que não recebem há oito meses”, acrescentou.
O prefeito também manifestou preocupação com a Macapaprev, o Instituto de Previdência de Macapá. De acordo com a nova direção, o instituto corre o risco de ficar sem dinheiro para pagar aposentadorias e pensões.

