Por SELES NAFES, de Macapá (AP)
Um áudio divulgado nesta terça-feira (24) pelo Portal Metrópoles revela uma conversa entre o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União), e o então presidente da Câmara Municipal de Macapá, Pedro Dalua, ocorrida no segundo semestre do ano passado. No diálogo, os dois discutem uma estratégia para neutralizar uma manobra do então prefeito Antônio Furlan (PSD), que segurou o repasse da Câmara para enfraquecer a oposição.
À época, em setembro, a Câmara se preparava para votar a criação de uma Comissão Processante destinada a apurar possíveis desvios na Macapaprev. Diante da retenção do duodécimo, o Legislativo municipal ingressou com ação na Justiça para garantir o repasse constitucional, alegando que a medida configuraria crime de responsabilidade.
Segundo o conteúdo do áudio, Pedro Dalua levou o caso ao senador Davi Alcolumbre, que se comprometeu a articular uma reunião com representantes do tribunal para que ele pudesse explicar as circunstâncias do conflito.
“Amanhã no tribunal, 10h da manhã, explicar para ele toda a circunstância jurídica e política do caso. O prefeito de Macapá tem muito poder, mas não pode tudo. O Poder Legislativo não pode ser subjugado quando o prefeito comete crime de não repassar o duodécimo”, diz o senador.
Personagem
Na sequência da conversa, Alcolumbre afirma ter exposto ao presidente do tribunal que as divergências com o então prefeito eram de natureza “conceitual”, mencionando a falta de reconhecimento público por parte de Furlan quanto à origem de recursos de obras que estavam sendo inauguradas.
“Ele (Furlan) é um personagem que tá vivendo do nosso trabalho, da nossa atuação enquanto senador. Ele desconsidera tudo o que a gente faz pela cidade querendo ganhar os louros apenas para ele e a mulher dele. Eu faço política de grupo, de entrega, e reconheço as pessoas que trabalham”, acrescenta.
Ainda no diálogo, Dalua informa que pretendia acionar o Tribunal de Contas do Estado (TCE) e que, após a votação das contas do ex-prefeito Clécio Luís, articulava uma reação na Câmara para também investigar a CTMac. As assessorias de Furlan e Dalua ainda não se pronunciaram sobre a conversa, mas fontes próximas de ambos avaliam que o diálogo foi rotina dos bastidores da política, sem nenhuma ilegalidade.

2023: Última foto em que Furlan reconheceu publicamente recursos garantidos pelo senador. Foto: André Silva/SN
Nas redes sociais, Antônio Furlan tem afirmado que o conteúdo do áudio evidenciaria uma suposta perseguição política contra ele. O ex-prefeito, no entanto, ainda não apresentou explicações sobre os cerca de R$ 3 milhões em depósitos identificados em clínicas ligadas a ele e à ex-primeira-dama, valores que são alvo de investigação da Polícia Federal.
No dia 5 de março, já afastado do cargo por decisão relacionada à investigação, Furlan renunciou ao mandato e anunciou pré-candidatura ao governo do Estado.
