Por LEONARDO MELO, de Macapá (AP)
Um guarda municipal do Pará, de 43 anos, considerado o maior distribuidor de drogas do Amapá, foi um dos 54 alvos de mandados de prisão preventiva desta terça-feira (31) por forças de segurança do Amapá, Pará e mais seis estados durante a deflagração da Operação Abadom (Abismo). No entamto, ainda não foi localizado. A mobilização, comandada pela Polícia Civil do Amapá, contou com a participação de policiais civis, militares e rodoviários e federais da Ficco. O suspeito, integrante da Guarda Civil Municipal (GCM) de Marituba, é apontado como uma das principais lideranças da facção Família Terror do Amapá (FTA).
De acordo com as investigações, ele costumava debochar das forças de segurança, ostentando o fato de ter sido aprovado em concurso público e ingressado na corporação, mesmo sendo apontado como referência no crime organizado.
“Isso chamou a atenção nossa, porque já era um indivíduo conhecido aqui da segurança pública e que participou do roubo de uma aeronave em 2021 para o transporte de drogas. Mas essa ação foi frustrada e nós conseguimos identificar todos os envolvidos. Não se sabe como ele conseguiu lograr êxito nesse cargo na cidade de Marituba e desdenhava por ter driblado o sistema”, comentou o delegado Estéfano Santos.

Policiais cumpriram 64 mandados de busca…

…e 54 de prisão preventiva

Vários bens foram apreendidos e 10 empresas fechadas
Segundo a polícia, o guarda é natural do Amapá, mas se mudou para o Pará, onde ingressou na GCM após aprovação em concurso. A investigação aponta que ele estruturou uma rota de tráfico interestadual, enviando cocaína e crack do Pará para o Amapá.
O grupo utilizava uma rede de “laranjas”, que cediam contas bancárias, além de empresas de fachada para lavar o dinheiro do tráfico. Os valores eram fragmentados em pequenos depósitos para evitar a detecção por órgãos de controle financeiro.

Delegado geral Marsilli e delegado Estéfano Santos (Dracco): deboche

Secretário de Segurança Cézar Vieira e delegado Everton Manso, PF
Ao todo, os mandados foram cumpridos em oito estados: Amapá, Pará, Roraima, Ceará, Rio Grande do Norte, São Paulo, Minas Gerais e Paraná. Além das 54 prisões, foram executadas 64 ordens de busca e apreensão, fechamento de 10 empresas, bloqueio de contas e sequestro de veículos blindados e imóveis de alto padrão.
“Essa investigação foi de forma conjunta, Dracco e Ficco, que começaram independentes e se encontraram. As organizações criminosas daqui têm impacto nacional porque já estão integradas”, destacou o delegado Everton Manso, coordenador de operações especiais da PF no Amapá.
“Material humano, tecnológico e estrutural nós temos do governo, nessa linha dura de combate ao crime. Assim o resultado aparece, demonstrando em nível nacional que é possível esse trabalho”, afirmou o secretário de Segurança Pública, Cézar Vieira.
