Por SELES NAFES, de Macapá (AP)
A servidora da prefeitura de Oiapoque, município a 590 km de Macapá, que levou um tiro do ex-companheiro policial militar, conseguiu na Justiça uma decisão provisória que lhe permite se afastar do trabalho para cuidar da saúde. A prefeitura chegou a conceder licença médica por um período, mas posteriormente determinou o retorno dela às atividades sob pena de demissão.
O crime ocorreu no fim do ano passado. A funcionária é lotada no Instituto Municipal de Trânsito. De acordo com as investigações, ela estava em casa na noite de 21 de dezembro de 2025 quando o ex-companheiro, cabo da Polícia Militar, invadiu o imóvel. Segundo o relato, o policial colocou a arma na boca da vítima e fez ameaças. Ela decidiu reagir e conseguiu afastar a arma, mas um disparo foi efetuado e atingiu uma das mãos. A vítima foi socorrida no Hospital de Emergência de Oiapoque e liberada depois de alguns dias após procedimentos médicos.

Servidora foi socorrida no HE de Oiapoque…

….e chegou a ter a cirurgia cancelada

Advogada Helena Monteiro: inúmeros requerimentos sem resposta
O cabo da PM, que não teve o nome divulgado na época, foi preso em flagrante. A prisão foi convertida em preventiva e ele continua detido. Abalada, a vítima foi para outro estado e precisará passar por 60 sessões de fisioterapia antes de uma cirurgia. Ela também passa por tratamento psicológico. O crime ocorreu quando ela estava finalizando o estágio probatório de dois anos, exigido para funcionários concursados.
“Não tive resposta nas inúmeras tentativas administrativas de licenciamento, com requerimentos, documentações e foi necesário judicilizar. Ela também ingressou com pedidos paralelos e teve algumas respostas. Uma delas foi que o afastamento tinha que ocorrer pelo INSS e que ela tinha cinco dias de prazo para comparecer sob pena de instauração de um PAD (processo administrativo disciplinar que pode resultar em demissão) e suspensão do pagamento”, explica a advogada Helena Monteiro, que representa a servidora e atua em casos semelhantes na fronteira com a Guiana.
“Ela teme muito pela vida dela. Ela muito desesperada e num estágio emocional crítico”, acrescenta.

A vítima terá que passar por 60 sessões de fisioterapia antes de uma cirurgia
A advogada ajuizou uma ação com pedido de liminar. O juiz Heraldo Costa, titular da Vara de Oiapoque, entendeu que vítimas de tentativa de feminicídio precisam desse amparo do poder público para lidar com os traumas decorrentes da violência.
O magistrado determinou que a prefeitura garanta o afastamento dela remunerado pelo prazo mínimo de seis meses e que a prefeitura não anota faltas ou adote outros procedimentos que sejam desabonadores ou prejudiciais ao estágio probatório da servidora.oiapoquoiapoqu
