Por RODRIGO ÍNDIO, de Macapá (AP)
A Rampa Náutica Ocivaldo Gato, na Orla do Araxá, em Macapá, registrou a segunda morte por afogamento em menos de um ano de funcionamento. Inaugurada em abril de 2025 para o acesso de embarcações e fomento ao turismo, a estrutura de concreto tornou-se um ponto crítico de acidentes devido à ausência de barreiras físicas e sinalização de advertência para banhistas.

Correntezas intensas e variação brusca da maré transformam o ponto em área de alto perigo sem qualquer controle efetivo.. Fotos: Rodrigo Índio/SelesNafes.com
A vítima mais recente foi Fabrício Oliveira, de 21 anos. Na última segunda-feira (2), o jovem mergulhou no local acompanhado de dois amigos e foi surpreendido pela força da correnteza do Rio Amazonas. Enquanto os acompanhantes conseguiram retornar à margem, Fabrício foi arrastado. O corpo foi localizado por mergulhadores do Corpo de Bombeiros Militar do Amapá (CBMAP) após três horas de buscas, com o auxílio de imagens de um totem de segurança da Guarda Municipal.
O cenário repete a tragédia ocorrida em julho de 2025, quando o adolescente Erick Gomes Pimentel, de 17 anos, também morreu afogado no mesmo trecho. Na ocasião, o jovem lavava uma bicicleta na rampa quando foi puxado pela maré. Ambos os casos evidenciam a periculosidade da área, que combina fortes correntes subaquáticas com uma estrutura que não foi projetada para o lazer de banhistas, mas sim para o fluxo de lanchas e jet skis.

Estrutura projetada para embarcações segue sendo utilizada para lazer, mesmo sem condições mínimas de segurança

Ausência de placas de advertência e de barreiras físicas expõe frequentadores a risco permanente às margens do Rio Amazonas
Apesar do histórico de fatalidades, a rampa permanece aberta ao público e sem qualquer placa que indique a proibição ou o risco de banho. O CBM confirmou que uma sinalização anterior foi removida e ainda não foi reposta, o que contribui para uma falsa sensação de segurança entre os frequentadores. A corporação reforça que a variação da maré e a força das águas naquele ponto tornam o ambiente letal para quem entra no rio sem embarcação.
Até o momento, o espaço continua sendo utilizado livremente por moradores e visitantes para lazer, sem medidas rígidas de controle ou novas advertências visuais. A recorrência de mortes em um curto intervalo de tempo levanta questionamentos sobre a responsabilidade do poder público na manutenção da segurança e na prevenção de novos incidentes na área portuária da orla.
