Preço do açaí dispara 300% em Macapá e litro chega a R$ 28 no período de entressafra

Escassez do fruto eleva gastos nas amassadeiras e obriga comerciantes a reajustar valores
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Por RODRIGO ÍNDIO, de Macapá (AP)

O prato principal da mesa do amapaense está pesando no bolso. Em apenas quatro meses, o preço do litro do açaí em Macapá sofreu um salto drástico, saindo da média de R$ 7 registrada em novembro do ano passado para até R$ 28 neste mês de março. O aumento de 300% reflete o rigoroso período de entressafra, que eleva o custo da saca do fruto e desafia a sobrevivência dos pequenos batedores.

Nas amassadeiras da capital, o clima é de preocupação. Haroldo Sanches, vendedor de açaí no bairro Marabaixo, relata que a logística financeira se tornou um “equilibrismo”. Nesta sexta-feira (13), Haroldo adquiriu a saca do fruto por R$ 500.

“Com esse custo, é impossível não repassar o valor para o consumidor final”, explica o batedor, que agora comercializa o litro entre R$ 20 e R$ 28.

Em novembro a R$7…

… e agora a R$ 28 o litro do açaí em Macapá. Preço disparou. Fotos: Rodrigo Índio/SelesNafes.com

O cenário é ainda mais crítico para Benedito Brito, outro comerciante local, que chegou a pagar R$ 600 por uma única saca recentemente. Segundo ele, o lucro é quase inexistente devido aos custos fixos de operação.

“Na semana passada, tive que vender a R$ 30 o litro. A gente quase não lucra porque ainda tem o aluguel, energia, sacolas e outros materiais. É uma conta que mal fecha”, desabafa Benedito.

Escassez do fruto nesta época do ano reduz a oferta e obriga batedores a ajustar valores

Safra vs. Entressafra: O contraste de preços

A disparidade é nítida quando comparada ao período de abundância. Durante a safra, a saca do açaí é comercializada entre R$ 150 e R$ 200. Em termos de rendimento, uma saca de boa qualidade produz cerca de 25 litros, volume que cai para 23 litros dependendo do tipo do fruto, o que impacta diretamente na margem de lucro do batedor.

Em épocas de safra, como visto em novembro, batedeiras de bairros como o Muca chegam a vender o produto a preços populares, atraindo multidões. É o caso da batedeira onde trabalha Roneli Lobato, de 46 anos. No auge da produção, ele consegue manter o valor em R$ 7, chegando a vender mais de 300 litros por dia.

“A lata fica barata e o volume de venda compensa. A qualidade atrai e o povo volta”, contou Roneli, destacando que a estratégia de preço baixo só é possível com a alta demanda e o custo reduzido da matéria-prima.

Comerciantes relatam custos cada vez maiores com a compra da saca

Atualmente, a variação de preço também é influenciada pela localização. Enquanto em bairros como Perpétuo Socorro e Pedrinhas o açaí grosso ainda pode ser encontrado com valores mais competitivos em relação ao Centro — onde o tipo “especial” atinge o teto da tabela — o consumidor amapaense precisa pesquisar para garantir o acompanhamento do almoço sem comprometer o orçamento familiar.

Seles Nafes
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