Por SELES NAFES, de Macapá (AP)
O secretário de Segurança Pública do Amapá, delegado Cézar Vieira, convocou nesta quarta-feira (18) parentes, amigos e vizinhos de vítimas de violência doméstica a denunciarem os agressores antes que o pior aconteça. O apelo foi feito após o feminicídio de Juciele de Souza Morais, de 35 anos, no município de Santana, cidade a 17 quilômetros de Macapá. Segundo ele, na maioria dos casos registrados este ano em todo o Estado não havia denúncias formais contra os acusados.
Juciele foi morta a facadas pelo ex-companheiro em frente ao Fórum de Santana, onde os dois participariam de uma audiência marcada para as 9h. O ataque ocorreu quando a vítima chegava ao local. Elquias da Silva Lima, de 39 anos, foi detido por populares logo após o crime e preso em seguida pela Polícia Militar. Ainda não foi possível confirmar se Juciele havia denunciado o agressor anteriormente.
“Está faltando aquilo que vem antes (do crime), que é o engajamento de familiares e amigos em fazer a denúncia. Precisamos ter a consciência que amigos e parentes precisam denunciar para que a segurança pública possa tomar as medidas para reduzir esses números perversos”, comentou o secretário.
Foi o segundo feminicídio registrado em Santana neste mês. Há duas semanas, uma jovem de 19 anos foi assassinada dentro da loja em que trabalhava por um dependente químico que trocou o celular da vítima por seis pedras de crack. O suspeito já havia matado uma vizinha em 2018 e estava foragido.

Juciele foi morta pelo ex-companheiro antes de audiência de reintegração de posse de imóvel. Foto: Reprodução redes sociais

Elquias abordou a vítima na chegada ao Fórum
A morte de Juciele provocou grande comoção nas redes sociais e gerou manifestações de autoridades. Em nota, o Tribunal de Justiça do Amapá esclareceu que o crime não ocorreu dentro das dependências do Fórum, onde estava marcada uma audiência referente a um processo de reintegração de posse movido pela vítima.
“O agressor não adentrou as dependências do Fórum de Santana nem passou pela guarnição de segurança na recepção, onde são obrigatórias a identificação e a revista por meio de raio-x, que integram o protocolo de segurança da Justiça do Amapá”, informou o tribunal.
“O TJAP repudia, de forma intransigente, qualquer ato de violência que atente contra a vida e a dignidade da mulher. Este crime é uma afronta não apenas à família da vítima, mas a toda a sociedade e às instituições de justiça”, acrescentou a nota.

