Por RODRIGO ÍNDIO, de Santana (AP)
A tarde desta terça-feira (10) foi de silêncio interrompido apenas pelo choro e pelo som de orações no Cemitério de Santana. O sepultamento de Ana Paula Viana Rodrigues, de 19 anos, reuniu uma multidão de familiares, amigos, colegas de universidade e civis que, mesmo sem conhecer a jovem, foram tocados pela brutalidade do crime.
Ana Paula era descrita por todos como uma jovem “cheia de sonhos”. Acadêmica da Universidade Federal do Amapá (Unifap), ela enfrentava a rotina desafiadora de conciliar o curso de Ciências Biológicas com o trabalho em uma loja no centro de Santana.
“Ela era uma menina tranquila, dedicada e que via na educação a chance de transformar seu futuro”, relatou um colega de curso durante o velório.

Sob forte emoção, o sepultamento reuniu familiares, amigos e colegas em uma despedida marcada por orações e silêncio. Fotos: Rodrigo Índio/SelesNafes.com

Flores, bilhetes e orações foram deixados sobre a lápide como últimas homenagens à jovem estudante
O ato de despedida
O cortejo saiu da Igreja Imaculado Coração de Maria, no bairro Nova Brasília, onde o corpo foi velado desde a madrugada. No momento do sepultamento a maioria dos presentes vestia preto em sinal de luto oficial e protesto contra a violência.
Em um momento de forte simbolismo, balões brancos foram soltos ao céu, representando a paz e a pureza da jovem estudante.

Balões brancos, cartazes e flores marcaram o sepultamento e simbolizaram a saudade deixada pela jovem entre colegas e familiares
Colegas da Unifap levaram cartazes e flores, reforçando a lacuna deixada pela estudante no campus.
A morte de Ana Paula causou comoção estadual. Ela foi encontrada sem vida na tarde de segunda-feira (9), no interior da loja onde trabalhava. As investigações apontam que a jovem foi vítima de estrangulamento durante um assalto (latrocínio).

Acadêmica de Ciências Biológicas da Unifap, Ana Paula conciliava os estudos com o trabalho em uma loja no centro da cidade. Foto: Arquivo Pessoal/Cabio Unifap
O principal suspeito, Cláudio Pacheco, conhecido como “Coringa”, de 42 anos, foi preso poucas horas após o crime no bairro Elesbão. O celular da vítima, que havia sido levado pelo criminoso, foi peça-chave para que a polícia chegasse ao paradeiro do suspeito. Ele trocou o aparelho por seis pedras de crack em uma boca de fumo da área portuária.
Cláudio também responde pela morte de uma outra jovem no ano 2018. Conforme a polícia, ele matou a vendedora de churrasquinho Camila de Oliveira Freitas com várias facadas.
