“Não percam a fé”: Drª Piedade Videira transforma luta contra o câncer em alerta à prevenção

A intelectual amapaense compartilhou o testemunho em vídeo divulgado nas redes sociais
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Por RODRIGO ÍNDIO, de Macapá (AP)

Ela é mulher preta, amazônida, mestra, doutora e pós-doutora em educação, professora universitária, intelectual da Academia Amapaense de Letras e a soberana rainha de bateria de Piratas da Batucada. Mas, para além dos títulos e do brilho da avenida, Piedade Lino Videira, de 53 anos, usou suas redes sociais esta semana para exercer um de seus papéis mais nobres: o de porta-voz da vida.

Em um vídeo emocionante, a ativista cultural e intelectual compartilha seu testemunho sobre a luta contra o câncer colorretal, visando conscientizar a população sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce.

Com raízes profundas no Quilombo do Curiaú e uma trajetória marcada pela influência na cultura e no ensino superior, Piedade é uma referência de autocuidado, hábitos saudáveis de saúde e vitalidade. Por isso, o diagnóstico foi um impacto tão profundo.

“Eu sou uma pessoa que sempre cuidou da saúde física, psicológica e emocional. Sempre pratiquei atividade física e fui muito atenta à alimentação”, relata no vídeo gravado para a Associação dos Ostomizados do Amapá (AOAP).

Para reduzir o tumor antes da cirurgia, a professora passou por 25 sessões de radioterapia e seis ciclos de quimioterapia. Fotos: Arquivo pessoal

O sinal de alerta veio de forma silenciosa, mas persistente: a presença de sangue nas fezes. Ao buscar auxílio médico, uma colonoscopia confirmou o tumor. O que se seguiu foi um processo que Piedade descreve como “dilacerante”.

Diante da necessidade de tratamento especializado, ela precisou buscar amparo em Fortaleza (CE), onde enfrentou 25 sessões de radioterapia e seis sessões de quimioterapia intravenosa para reduzir o tumor antes da cirurgia, realizada em novembro de 2024.

Mesmo nos momentos de maior fragilidade física, psicológica e emocional a “Rainha do Piratão” não deixou a peteca cair. Em 2024, desfilou na avenida ainda em tratamento, movida por uma intensidade única e profundo amor pela sua escola de samba.

“A gente não pode perder a fé e a esperança. É preciso ser resiliente e seguir as recomendações médicas, mesmo quando o corpo quer ficar deitado e não temos ânimo. O sopro de vida dentro de nós deve ser o mobilizador para acreditar que podemos superar o câncer “, afirma Piedade.

cirurgia ocorreu em novembro de 2024, etapa decisiva para a retirada do tumor

O retorno à avenida em 2025, após a erradicação da doença, não foi apenas um desfile, mas uma celebração da existência. A mulher que foi batizada pelo tambor e que carrega o legado do Marabaixo e do Batuque transformou sua dor em ferramenta de ajuda e conscientização ao próximo.

Ao compartilhar sua jornada, Piedade reafirma que seu propósito agora é inspirar pessoas, mostrando que o diagnóstico não é o fim, mas o início de uma nova luta onde a esperança e a prevenção devem caminhar de mãos dadas.

Atualmente, Piedade apoia o trabalho da Associação dos Ostomizados do Amapá, que acolhe cerca de 1.300 associados entre ostomizados, incontinentes e pessoas com patologias correlatas. A instituição conta com uma equipe técnica voluntária de 32 profissionais e é um porto seguro para quem enfrenta diagnósticos semelhantes ao da professora.

Após a recuperação, Piedade retornou à avenida no carnaval de 2025 celebrando a superação da doença

Serviço e apoio

Se você busca orientações, apoio ou deseja conhecer o trabalho da Associação, entre em contato:
• Instagram: @aoapostomia
• Facebook: aoap ostomia
• Telefone/WhatsApp: (96) 98437-3666

Seles Nafes
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