Por LEONARDO MELO, de Macapá (AP)
Termina nesta sexta-feira (3) o prazo da chamada janela partidária, período em que parlamentares podem trocar de partido sem risco de perder o mandato. O encerramento da janela marca o fim de uma fase intensa de articulações políticas em todo o país e consolida o cenário partidário para as eleições deste ano.
Prevista na legislação eleitoral e regulamentada pelo Tribunal Superior Eleitoral, a janela funciona como uma exceção à regra da fidelidade partidária. Fora desse período, deputados e vereadores que mudam de legenda podem ser punidos com a perda do cargo, já que o entendimento é de que o mandato pertence ao partido.
Durante os cerca de 30 dias em que a janela permanece aberta, deputados federais, estaduais, distritais e vereadores ficam autorizados a migrar de sigla livremente. A medida permite que esses políticos busquem partidos mais alinhados a seus interesses eleitorais, ideológicos ou estratégicos, especialmente de olho na disputa que se aproxima.
A janela também abre espaço para reorganizações internas nas legendas. Partidos aproveitam o período para fortalecer bancadas, atrair nomes com potencial eleitoral e ampliar sua representatividade, o que impacta diretamente no tempo de propaganda e na divisão de recursos do fundo eleitoral.
Outro efeito prático é a redefinição de alianças. Com as mudanças partidárias, grupos políticos se reconfiguram nos estados, alterando composições que podem influenciar tanto as eleições proporcionais quanto as majoritárias. Nos bastidores, negociações intensas, convites e até disputas internas marcam os últimos dias do prazo.
Com o fechamento da janela, o cenário político entra agora em uma fase de maior estabilidade formal. A partir deste ponto, eventuais trocas de partido voltam a estar sujeitas às regras de fidelidade partidária, restringindo movimentações e consolidando as bases para a corrida eleitoral de 2026.

